quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Brasil lidera ranking de violência contra pessoas trans pelo 16º ano consecutivo

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Mulheres trans e travestis representam 93,3% das vítimas de homicídios no Brasil

O Brasil permanece como o país mais perigoso para pessoas trans, com 105 homicídios registrados em 2024, segundo a Rede Trans Brasil. Apesar da redução de 12% em relação a 2023, o país segue no topo do ranking global pelo 16º ano consecutivo, destacando-se negativamente pelos altos índices de assassinatos dessa população marginalizada.

A maioria das vítimas são mulheres trans e travestis, que representam 93,3% dos casos, com faixa etária predominante entre 26 e 35 anos. Pessoas negras ou pardas correspondem a 36,5% e 26% das vítimas, respectivamente. As regiões Norte e Nordeste apresentam os números mais elevados, com 40 homicídios no Nordeste e 35 no Sudeste.

A violência contra pessoas trans no Brasil é resultado da discriminação e da exclusão social. Muitos enfrentam dificuldades no acesso ao emprego e à educação, recorrendo ao trabalho sexual, o que as torna mais vulneráveis a ataques. Embora existam leis que reconhecem a identidade de gênero, a violência persiste como um problema estrutural.

No cenário internacional, o Brasil lidera o ranking de violência contra pessoas trans, mas outros países também enfrentam esse problema. O estudo “Trans Murder Monitoring” registrou mais de 375 homicídios globais em 2023. Na América Latina, México e Colômbia aparecem ao lado do Brasil entre os países mais perigosos, enquanto os Estados Unidos também apresentam números crescentes.

Apesar das legislações que proíbem a discriminação e promovem o reconhecimento da identidade de gênero, a implementação dessas políticas é precária, e a resposta governamental tem sido insuficiente. Organizações como a Rede Trans Brasil desempenham papel essencial na coleta de dados e no suporte às vítimas.

O Brasil precisa priorizar ações baseadas nos dados, como a criação de políticas públicas voltadas às regiões com maiores índices de violência, como o Nordeste, e focar na proteção de grupos mais atingidos, incluindo mulheres trans e travestis negras e pardas. Os números mostram que, embora tenha havido uma redução em 2024, a prevalência de 105 homicídios revela que o problema ainda é grave e demanda soluções mais eficazes.

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