Nos últimos meses, milhares de brasileiros têm participado de um projeto da empresa norte-americana World, que paga pelo escaneamento da íris dos olhos em troca de criptomoedas que convertidas podem chegar a mais de R$ 600.
A iniciativa busca criar uma “Identidade Global” única, segura e à prova de fraudes digitais, utilizando características da íris humana, que são exclusivas para cada pessoa.
Fundado pela World Foundation e com investimentos de Sam Altman, CEO da OpenAI (dono do ChatGPT), o projeto tem como objetivo criar uma rede digital composta exclusivamente por humanos, protegida contra perfis falsos e Inteligências Artificiais (IAs).
A ideia central é usar a íris, uma parte única do olho, para validar a identidade de um indivíduo de maneira mais segura do que métodos tradicionais, como impressões digitais.
O experimento no Brasil já tem mais de 640 mil usuários cadastrados, e mais de 150 mil com íris escaneada.
Como vender dados da íris para a World ID?
Para participar, os interessados devem baixar o aplicativo World App, disponível para Android e iOS.
Após o cadastro, é necessário agendar um horário em um dos pontos de coleta, atualmente localizados apenas em São Paulo.
Lá, uma câmera especial chamada Orb realiza o escaneamento da íris, um processo que leva apenas cerca de 10 minutos.
A World ID garante que os dados são criptografados e deletados após a coleta, mas o usuário tem a opção de armazená-los localmente, caso deseje.
Em troca, os participantes recebem 48 tokens da criptomoeda Worldcoin (WLD), distribuídos ao longo de um ano. Esses tokens têm um valor flutuante, mas, no momento da publicação, o valor total recebido equivale a cerca de R$ 614.
Como sacar o valor
O saldo da Worldcoin fica disponível imediatamente após a coleta da íris e validação dos processos adicionais, como verificação digital do passaporte, e pode ser consultado no aplicativo World App.
Para sacar o dinheiro, basta realizar a transferência do valor em reais para uma conta bancária convencional, ou em WLD para uma carteira digital de criptomoedas, mas os valores variam constantemente.
Isso porque o preço da Worldcoin varia, assim como o Bitcoin, por exemplo, podendo aumentar ou diminuir conforme a demanda e o crescimento do projeto.
Investigação aberta
Apesar do grande interesse, o projeto não está isento de controvérsias. A coleta de dados biométricos, como a íris, levanta questões sobre privacidade e proteção de dados pessoais.
No Brasil, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) está investigando a conformidade do projeto com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
O órgão pode aplicar sanções ou até suspender o projeto caso considere que ele apresenta riscos para a segurança das informações dos brasileiros.
Até o momento, o projeto continua realizando o cadastro de íris e recompensando os participantes com Worldcoins, enquanto o debate sobre a segurança digital segue em curso.
Leia Mais: