quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Deputados federais podem agora usar "Cotão" para despesas com bagagem e internet em voos

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Congresso Nacional
Congresso Nacional em Brasília (Foto: Leonardo Sá/Agência Senado)

A Câmara dos Deputados alterou as regras para o uso da Cota para atividade parlamentar, o Cotão, que agora poderá ser usada para pagar despacho de bagagem e serviços de internet durante os voos.

A mudança foi acertada nos últimos dias de 2024 e publicada no Diário Oficial na última sexta-feira (10).

A alteração nas regras amplia o benefício dos parlamentares nas vésperas da eleição de um novo presidente da Casa.

O candidato favorito é o deputado Hugo Motta (Republicanos/PB), que tem o apoio do atual presidente, o alagoano Arthur Lira (PP/AL).

Em 2023, quando Lira tentava a reeleição, distribuiu um pacote de benesses para todos os 513 deputados, que chegou ao valor de R$ 70 milhões.

Os parlamentares tiveram aumento do salário, aumento do teto de gasto de combustível e outro aumento no auxílio-moradia.

Até o momento, a Câmara gastou R$ 228,7 milhões com a cota parlamentar. Desse valor, R$ 35,3 milhões foram com passagens aéreas.

Há casos que podem fugir da destinação original da verba, como a compra de vinhos caros e cervejas artesanais por um deputado durante viagem ao município turístico de Bonito (MS).

Em 2024, a Polícia Federal realizou duas operações de busca e apreensão em casos de investigação sobre possível uso irregular da cota parlamentar.

No primeiro caso, revelado em outubro, a PF foi até endereços ligados ao deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) por suposta associação criminosa voltada para desvio de cota parlamentar. Gayer diz que as buscas “visam prejudicá-lo”.

A última operação ocorreu em dezembro. A PF fez buscas em endereços ligados aos deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ) em uma investigação que apura suspeita de desvio de cota parlamentar.

O Cotão da Câmara Federal é replicado nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais, onde também parte das atividades dos parlamentares é bancada com recurso público.

Deputados podem ganhar o reembolso da Câmara via cota parlamentar se gastarem com:

  • Passagens aéreas;
  • Conta telefônica do telefone funcional do deputado, dos gabinetes, dos escritórios nos Estados e dos imóveis funcionais;
  • Manutenção de escritórios de apoio à atividade parlamentar – caso de aluguel de imóveis, energia elétrica, água e esgoto, acesso à internet, etc.;
  • Assinatura de publicações, como jornais;
  • Alimentação exclusivamente do deputado;
  • Hospedagem, exceto no Distrito Federal;
  • Locação ou fretamento de aeronaves;
  • Locação ou fretamento de veículos, com limite de R$ 12.713,00 mensais e permitida contratação de seguro;
  • Locação ou fretamento de embarcações;
  • Serviços de táxi, Uber, pedágio e estacionamento, com limite de R$ 2.700 mensais;
  • Passagens terrestres, marítimas ou fluviais;
  • Combustíveis e lubrificantes, com limite mensal de R$ 9.392;
  • Serviços de segurança de empresas especializadas, com limite de R$ 8.700,00 mensais;
  • Divulgação da atividade parlamentar, com a exceção dos 120 dias anteriores à data das eleições, se o deputado for candidato;
  • participação em cursos, congressos ou eventos, realizados por instituição especializada, com limite mensal de R$ 7.697,17;
  • Complementação de auxílio-moradia, com limite mensal de R$ 4.148,80;
  • Aquisição de tokens e certificados digitais.

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