O Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) planeja iniciar 2025 com a meta de consolidar o movimento iniciado pelo governo federal em 2023, que visa tornar o órgão uma “referência em bionegócios” e promover a marca “Amazônia”. A declaração é do diretor-geral, Márcio de Miranda Santos.
Em entrevista ao RealTime1, o dirigente afirmou que a “expectativa é contribuir significativamente para a bioeconomia local e nacional” por meio do desenvolvimento de projetos em áreas como cosméticos, alimentos, biomateriais, fármacos e medicamentos, utilizando a biodiversidade amazônica como matéria-prima.
Leia a íntegra da entrevista:
RT1: Em 2025, o CBA vai entrar em seu segundo ano de funcionamento neste novo modelo de gestão. O que está previsto para esta próxima fase?
Márcio Santos: Nesta etapa do novo modelo de gestão, o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) continuará focado na promoção de bionegócios junto aos atores do ecossistema de inovação local e na modernização de sua estrutura física. Isso inclui o aparelhamento dos laboratórios e a hospedagem de empresas e instituições relevantes do sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI), além de startups, por meio do Espaço CBA de Inovação, que integra a iniciativa CBA Open, um hub de inovação voltado para a Amazônia.
RT1: Qual é o orçamento da instituição para 2025 e quais são os investimentos previstos?
Márcio Santos: O CBA opera, atualmente, com recursos do Contrato de Gestão firmado com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em vigor até 2027. Além disso, contamos com um acordo firmado com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), no valor de R$ 2,4 milhões, e projetos aprovados em editais da FINEP. Esses recursos iniciam um modelo de financiamento mais abrangente, que vai dar suporte aos planos de desenvolvimento do CBA. O foco está na promoção de novos bionegócios nos setores de fármacos e medicamentos, cosméticos, alimentação, energia e na criação de novos materiais utilizando ativos da biodiversidade amazônica.
RT1: Quando o CBA começará a impactar, com suas pesquisas, inovação tecnológica e produtos finais, a cadeia produtiva e a economia do Amazonas e da Amazônia como um todo?
Márcio Santos: Os impactos já começaram a ser percebidos. Em 2024, o CBA prestou serviços tecnológicos no valor de R$ 800 mil para empresas da região. No entanto, impactos mais relevantes e em larga escala dependem do desenvolvimento e da maturação dos projetos em andamento, especialmente no médio e longo prazos, com a inserção de soluções inovadoras no mercado.
RT1: Qual é o balanço das pesquisas e inovações tecnológicas produzidas, hoje, pela entidade?
Márcio Santos: O CBA desenvolve projetos em diversas áreas, como cosméticos, alimentos, biomateriais, fármacos e medicamentos. Colaborações importantes estão em andamento com empresas, como o desenvolvimento de bioplásticos junto à TutiPlast, de Manaus. Além disso, novas parcerias estão sendo firmadas com universidades da região e com associações de povos originários e comunidades tradicionais, que têm papel fundamental na agenda do CBA.
RT1: Como está estruturado o quadro de pessoal do CBA neste novo formato?
Márcio Santos: O CBA conta, atualmente, com 30 pesquisadores e bolsistas institucionais, além de 10 estagiários e pesquisadores visitantes. O corpo administrativo, bem preparado, atua na gestão do Contrato de Gestão e inclui um Escritório de Projetos estruturado para desenvolver processos de inteligência preditiva e de mercado.
RT1: A médio e longo prazos, como o CBA projeta sua participação e relevância no contexto econômico local e nacional?
Márcio Santos: O CBA busca consolidar-se como referência em bionegócios, com impactos positivos e em escala nas cadeias produtivas. O objetivo é promover a marca “Amazônia” com inovação tecnológica e sustentabilidade, fortalecendo o ecossistema de inovação na região e contribuindo significativamente para a bioeconomia local e nacional.
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