sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Como a taxa Selic afeta as micros e pequenas empresas?

COMPARTILHE
Mais de 77 mil empresas do Amazonas estavam inadimplentes em abril, afirma Serasa. Total nacional demonstrou estabilidade no período: 6,7 milhões de negócios no vermelho (Foto: Reprodução/Canva)
(Foto: divulgação)

Como principal instrumento da política monetária, a Selic desempenha um papel crucial no controle da inflação: ao ajustar essa taxa básica de juros da economia, o governo influencia diretamente o consumo, o investimento, a demanda por crédito e a alocação de recursos na economia, impactando, assim, o nível geral de preços.

Para as empresas, o instrumento influencia no custo do crédito para capital de giro, essencial para a manutenção das operações diárias; e para investimentos em expansão, modernização e aquisição de bens de capital, como máquinas e equipamentos.

No caso das micro e pequenas empresas, a alta da Selic pode causar outros prejuízos como a redução na demanda por produtos e serviços e, consequentemente, a queda nas vendas das MPEs.

No NAC Responde (Núcleo de Acesso ao Crédito) desse mês, o analista de Desenvolvimento Econômico e especialista do NAC da Federação das Indústrias do Paraná (FIEP), João Baptista de Lima Guimarães, explica como a Selic afeta as micro e pequenas indústrias brasileiras; quais são os principais desafios e dá dicas para contornar as mudanças da taxa e manter o crescimento industrial. 

Quais são os maiores desafios enfrentados pelos empresários ao lidar com o aumento da Selic, especialmente no que diz respeito ao crédito e financiamento?

As empresas de menor porte enfrentam um cenário de endividamento mais caro e acesso ao crédito mais restrito, com os bancos exigindo garantias mais robustas e adotando políticas de crédito mais rigorosas.

Esse cenário gera uma série de consequências negativas, como a redução do fluxo de caixa, que dificulta a quitação de dívidas e o pagamento de fornecedores.

Além disso, o aumento do risco de inadimplência pode levar à exclusão do crédito, dificultando a obtenção de recursos no futuro e prejudicando a reputação da empresa no mercado.

A escassez de recursos financeiros também limita a capacidade de investir em novos projetos e modernização, comprometendo a competitividade das empresas.

Embora algumas linhas de financiamento para investimentos não tenham na composição do seu custo financeiro a Taxa Selic, a maioria delas possui alguma correlação com essa taxa básica de juros.

Essa relação direta implica em um aumento dos custos de financiamento quando a Selic se eleva, tornando projetos de investimento economicamente menos atrativos.

Consequentemente, muitos empresários são levados a adiar ou até mesmo a cancelar iniciativas de expansão e modernização, comprometendo o crescimento e a competitividade de suas empresas.

Quais outros custos as micro e pequenas empresas enfrentam devido ao aumento da Selic?

Além do crédito, o aumento da Selic impacta os custos operacionais e de insumos das micro e pequenas empresas de diversas maneiras.

A alta da taxa de juros tende a encarecer dívidas já existentes, especialmente aquelas atreladas a juros variáveis, pressionando o fluxo de caixa.

Além disso, fornecedores de matérias-primas e insumos também enfrentam custos financeiros mais elevados, o que muitas vezes é repassado aos compradores, elevando os preços e reduzindo as margens de lucro.

Em um ambiente de juros altos, a inadimplência também pode crescer em toda a cadeia produtiva, impactando a saúde financeira das empresas.

Diante disso, as micro e pequenas indústrias precisam buscar estratégias para otimizar os processos, negociar melhores condições com fornecedores e reduzir desperdícios para lidar com o aumento desses custos.

Quais ações o governo ou o sistema bancário poderiam adotar para reduzir o impacto da alta da Selic nas MPEs?

O governo e as instituições financeiras podem adotar algumas medidas, como a oferta de programas e linhas de crédito subsidiadas, especialmente para investimentos de longo prazo em inovação e produtividade. Nessa frente, o papel de bancos de desenvolvimento como o BNDES e FINEP é fundamental.

Além disso, a expansão e o fortalecimento de mecanismos de garantia, como fundos garantidores e o aval de sociedades garantidoras de crédito, podem reduzir o custo do crédito para as MPEs, ao mitigar os riscos de inadimplência.

Outra medida importante é a implementação de programas de renegociação de dívidas, oferecendo condições mais favoráveis para que as empresas possam reestruturar os passivos e aliviar a pressão sobre o fluxo de caixa.

Quais são as dicas do NAC para contornar essa alta da taxa Selic?

  • Evite o endividamento desnecessário: Em momentos de alta da Taxa Selic, o custo do crédito está elevado. Priorize ajustes internos e soluções alternativas antes de contrair dívidas.
  • Aposte em linhas de crédito subsidiadas: Procure opções com taxas reduzidas, como as oferecidas pelo BNDES, FINEP ou programas estaduais de incentivo à inovação, eficiência energética e sustentabilidade.
  • Prefira financiamentos de longo prazo: Linhas de longo prazo tendem a ter condições mais vantajosas do que o crédito de curto prazo, como capital de giro, que é geralmente mais caro.
  • Pesquise e compare opções de crédito: Avalie diferentes propostas de bancos comerciais, bancos de desenvolvimento, agências de fomento e cooperativas de crédito. Além de taxas, considere prazos e requisitos de garantia.
  • Explore outras fontes de recursos: Negocie prazos de pagamento mais longos com fornecedores e antecipe recebíveis junto aos clientes, quando possível, para aliviar o fluxo de caixa sem recorrer a financiamentos.
  • Otimize a gestão financeira: Reforce o controle do fluxo de caixa, reduza despesas desnecessárias e busque aumentar a eficiência operacional para minimizar os impactos dos juros altos no negócio.
  • Invista em parcerias e capacitação: Busque o apoio de instituições, como o NAC nas Federações das Indústrias, que oferecem informações, orientação e suporte para facilitar a tomada de decisões estratégicas e melhorar o acesso a recursos financeiros.

Por  Núcleo de Acesso ao Crédito (NAC) da Agência de Notícias da Indústria

COMPARTILHE