domingo, 25 de outubro de 2026

Aeroporto de Manaus: infraestrutura e qualidade em pauta

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Daniel Bernardes é turismólogo, empresário de consultoria em planejamento e gestão empresarial.

Recentemente, fui abordado por um repórter de um importante veículo de imprensa local para compartilhar minha opinião sobre as obras realizadas pela concessionária do Aeroporto Internacional de Manaus, Brigadeiro Eduardo Gomes. A concessionária está “reorganizando” os espaços do terminal devido ao baixo volume de passageiros que o aeroporto recebe atualmente.

Essa análise não é simples, pois envolve diferentes perspectivas sobre essa infraestrutura pública, abrangendo tanto aqueles que utilizam o aeroporto diretamente quanto os que são indiretamente impactados pelas operações aeroportuárias.

O Ministério do Turismo, em sua publicação “Programa de Regionalização do Turismo: módulo operacional 1 (MTur, 2007)”, define infraestrutura turística como o conjunto formado por obras, instalações de estrutura física e serviços indispensáveis ao desenvolvimento do turismo e existentes em função dele. Por essa definição, portos, aeroportos e rodoviárias são considerados equipamentos turísticos.

Primeiramente, é essencial avaliar a viabilidade econômica do aeroporto. Como se trata de uma concessão privada, o aeroporto deve ser entendido como um empreendimento. O ajuste da infraestrutura interna em função do volume de passageiros é crucial para manter sua saúde financeira e garantir a manutenção dos serviços dentro dos padrões de qualidade esperados de um aeroporto internacional, além de atrair novos investimentos.

Também é importante lembrar que o aeroporto não atende apenas aos turistas, mas também à população da capital e do estado. Ele é o principal ponto de entrada e saída de pessoas, e seu movimento vai além dos passageiros, englobando aqueles que acompanham os viajantes e inúmeros empreendedores que dependem do fluxo de passageiros para sua subsistência.

Décadas atrás, o aeroporto de Manaus já foi um ponto de encontro para a população manauara, que o frequentava para passear, apreciar a vista do pátio de aeronaves e usufruir dos serviços de alimentação. Considerando essa história, talvez seja interessante resgatar essa função social do aeroporto, reimaginando o uso de seus espaços. Atualmente, o antigo terraço, que oferecia uma ampla vista do pátio de aeronaves, foi substituído por uma área com pouca visibilidade, especialmente à noite.

Quanto à infraestrutura, sou um usuário frequente do aeroporto em voos regionais e percebo que a sala de embarque está no limite em horários de pico, com pouco espaço para filas e escassez de assentos. Apesar do fluxo geral ser baixo, ele se concentra em horários específicos, o que já evidencia a necessidade de reconfiguração desse espaço.

Na área de desembarque e restituição de bagagem, o espaço é amplo, mas carece de conforto. Há poucos assentos disponíveis, e os banheiros não atendem à demanda de voos maiores, por exemplo.

O saguão do subsolo, em frente aos desembarques, também oferece pouco conforto para aqueles que aguardam a chegada dos voos. Encontrar um assento confortável é uma questão de sorte. Além disso, os caixas eletrônicos estão concentrados no piso superior, os totens de pagamento do estacionamento são insuficientes, e a área externa é caótica, com pessoas se aglomerando à espera de transporte e um trânsito desorganizado.

Esses pontos afetam diretamente a qualidade do serviço oferecido. E a qualidade é crucial em um aeroporto internacional. Investimentos e readequações são necessários, mas devem ser feitos de forma inteligente, abordando os pontos mais críticos da infraestrutura. Um ambiente organizado e confortável pode, inclusive, atrair novamente a população para consumir no local, favorecendo economicamente o empreendimento e incentivando novos investimentos.

Reduzir espaços agora pode ser uma medida necessária, mas deve ser feito de forma estratégica. É preciso ter uma visão de longo prazo, considerando o crescimento do fluxo de passageiros e a expectativa de que nosso estado receba mais visitantes no futuro.

Por fim, a responsabilidade pela qualidade do aeroporto não recai apenas sobre a Vinci Airports, mas deve ser uma questão de Estado, buscando uma coalizão de ações e investimentos que garantam a viabilidade e o crescimento contínuo do nosso aeroporto.

Além disso, há outros pontos relevantes sobre o serviço de transporte aéreo na capital, como a não utilização do Terminal 2, conhecido como ‘Eduardinho’, e o Aeródromo de Flores (Aeroclube), atualmente administrado pela INFRAERO. Trata-se, de fato, de uma temática abrangente, com muitas inter-relações sociais e legais. É um assunto que necessita de discussão pela sociedade.

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