O Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal (LEGAL) divulgou um relatório com o “Perfil, Alianças e Agenda Ambiental” dos candidatos a prefeito de Manaus mostrando que a maioria das candidaturas consolidadas ainda não tem claras as preocupações com o meio ambiente na capital mais Amazônica da região.
“Até o momento, as candidaturas não consolidaram com clareza um plano de governo. Apenas David Almeida e Amom Mandel, os líderes das pesquisas, deixaram claro que apostarão na agenda ambiental“, destaca o documento em suas considerações finais.
Na percepção dos pesquisadores do LEGAL, o prefeito pretende consolidar a agenda ambiental iniciada no primeiro quatriênio de governo, ao passo que Amom Mandel pretende criar uma governança ambiental alicerçada em três questões:
- Limpeza e recuperação de igarapés;
- Proteção de nascentes e restauro de áreas verdes;
- Preservação; e promoção da arborização urbana.
Candidatos ainda sem pauta ambiental clara
O documento também analisou a trajetória, as alianças e as práticas ligadas ao meio ambiente dos candidatos Alberto Neto (PL), Roberto Cidade (União Brasil), Marcelo Ramos (PT) e Wilker Barreto (Mobiliza).
Alberto Neto é apresentado como “O Candidato do Bolsonarismo” e “Muito competitivo” na atual corrida eleitoral. Lembra que o lançamento da pré-candidatura contou com a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em maio, e que o desafio é buscar os votos que foram de Bolsonaro em Manaus (61%) nas eleições de 2022.
“No que se refere à pauta ambiental, ele praticamente não fez nenhuma menção sobre quais serão as suas políticas. Segundo declarações em sua página pessoal, ele tem pautado, na Câmara, a defesa dos ‘direitos dos pescadores, a preservação da biodiversidade e a implementação de projetos ecológicos e sustentáveis para exploração de minérios’ no Amazonas“, escrevem os pesquisadores.
Eles, no entanto, lembram que na avaliação de ativistas e especialistas ambientais, Alberto Neto é um dos “campeões de ataques ao meio ambiente, frequentemente votando em propostas favoráveis à flexibilização de leis ambientais, apoio ao avanço do agronegócio na região amazônica e contrário aos direitos de indígenas e quilombolas“.
Presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, Roberto Cidade é apresentado no relatório como “A aposta do governismo estadual” e herdeiro de uma longa linhagem familiar de políticos do Amazonas e cujos laços facilitaram a trajetória dele na política do Estado.
“Até o momento, em sua pré-campanha para a prefeitura o candidato não tem divulgado nenhuma ação política pró-ambiental para a capital do Amazonas“, analisam os pesquisadores do LEGAL.
O petista Marcelo Ramos é “Candidato do Lulismo e das Esquerda” e tem sua trajetória como vice-presidente da Câmara Federal lembrada pela oposição forte que fez dele uma das principais vozes contrárias ao governo de Jair Bolsonaro (2019-2022).
A candidatura dele a prefeito de Manaus é vista pelos pesquisadores do LEGAL como “a coroação de uma estratégia de longo prazo (eleições de 2026) que tem por objetivo projetar um nome eleitoralmente competitivo e tentar ampliar a bancada do PT na Câmara Municipal de Manaus, atualmente com o único vereador do partido“.
“Até o momento, o candidato não apresentou uma agenda clara e objetiva com as suas propostas para a área ambiental“, concluem os analistas.
Por fim, os pesquisadores do Laboratório analisaram a trajetória política do deputado estadual Wilker Barreto e o classificam como tendo “Base municipal e oposição”. Não há no trabalho referência sobre qualquer pauta ambiental defendida neste momento da campanha por Wilker, mas é lembrado que ele é vice-presidente da Frente Parlamentar em Defesa da BR-319, cuja obra de restauração recebe críticas de ambientalistas de todo o mundo.
Os analistas também lembram que Wilker Barreto foi candidato a vice-prefeito na chapa derrotada de Amazonino Mendes, em 2020, um político que marcou a trajetória dele por distribuição de motosseras e políticas públicas não propriamente de defesa do meio ambiente.
O candidato do PSTU, Gilberto Vasconcelos, não teve sua plataforma analisada pelos pesquisadores até a divulgação do relatório.
O que é o LEGAL?
O Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal (LEGAL) é um observatório interinstitucional em rede, com a participação de pesquisadores e pesquisadoras de Instituições de Ensino Superior dos estados pertencentes à Amazônia Legal brasileira.
Eles trabalham sob a coordenação geral do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ). O laboratório conta com o apoio do Instituto Clima e Sociedade (ICS).
Para o relatório “O Mapa das Candidaturas à Prefeitura de Manaus: Perfis, Alianças e Agenda Ambiental” foram mobilizados os seguintes pesquisadores:
- Marilene Corrêa da Silva Freitas,
- Ludolf Waldmann Júnior;
- Paula Mirana Sousa Ramos;
- Breno Rodrigo de Messias Leite;
- Simone Machado de Seixas;
- Tereza de Sousa Ramos.
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