“Um governo fraco”. Essa é a avaliação da coordenadora de Clima do Greenpeace, Fabiana Alves, sobre a gerência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) da questão climática brasileira e, segundo ela, o principal motivo pelo qual a carta enviada na última semana ao presidente norte-americano, Joe Biden, não sairá do papel.
De acordo com Fabiana, acabar com o desmatamento ilegal da Amazônia é algo realizável, mas não é do interesse de Bolsonaro, pois conciliar a agenda climática aos negócios de seus aliados é algo impossível. A ativista justifica que o governo federal cede aos lobbies da agroindústria e dos madeireiros e já mostrou, mais de uma vez, que não possui preocupação com o desenvolvimento sustentável do país.
“Os interesses domésticos brasileiro ainda são interesses que respondem a uma maneira de desenvolvimento extremamente antiquada é uma maneira de desenvolvimento que não considera o coletivo. Ela é individual, ela é setorizada”, explica.
Na visão da coordenadora, as promessas feitas a Joe Biden como acabar com o desmatamento até 2030, reduzir as emissões de gases de efeito-estufa e alcançar a neutralidade climática extinguindo o carbono emitido no país, já foram anteriormente sido retiradas da pauta do Brasil na gestão de Bolsonaro. No entanto, a má impressão deixada na reunião das Nações Unidas em setembro do ano passado fizeram com que esses temas fossem revistos para evitar embargos econômicos.
Uma das provas do desinteresse do governo em relação a preservação ambiental é a manutenção de Ricardo Sales no comando da pasta do Meio Ambiente. Fabiana reforça que enquanto o ministro deveria estar fazendo política públicas para conter o desmatamento e a crise do clima, ele “vai passando a boiada”.
“É esse o objetivo do governo Bolsonaro: ir passando a boiada. É abrir para o desmatamento. É jeito de ver esse desenvolvimento sem estar atrelado ao meio ambiente e sem estar pensando no coletivo. É como se os setores que tem maior poder econômico pudesse ir levando o país”,
A coordenadora chama atenção ainda a questão do pagamento de U$ 1 bilhão pelos “serviços de preservação” o que pode ser a válvula para a permanência do Sales no Ministério, uma vez que os recursos do Fundo Amazônia estão paralisados e o orçamento para 2021 deve ser o menor para ações de combate ao desmatamento, mas afirmou que as pressões de ativistas e povos originários para o não fechamento de acordo dos EUA com o Brasil deve continuar.
Por Giovanna Marinho
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