quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Concessionária diz à Câmara que não 'há cortes de energia' indevidos

Devido às inúmeras reclamações, os vereadores realizam audiência pública com os representantes da Amazonas Energia para esclarecer cortes de energia durante a pandemia.
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Em audiência pública realizada nesta sexta-feira (26), na Câmara Municipal de Manaus, o vice-presidente da concessionária Amazonas Energia, Radyr Oliveira, disse aos vereadores que a empresa não está descumprindo a lei federal que impede cortes do fornecimento de energia elétrica durante a pandemia, mesmo com inúmeras denúncias de consumidores que alegam o contrário.

O vice-presidente revela que existem cortes de energia, mas não motivados por inadimplência e sim devido a ligações clandestinas, o famoso “gato”, em residências que não são consumidoras da empresa.

“Alguns clientes que estão tendo a sua energia suspensa, já estavam cortados e auto-religados na clandestinidade. Então temos que autuar, porque eles não são clientes e estão consumindo energia de forma irregular. Até porque essas ligações causam um transtorno para todos como interrupção de fornecimento, pessoas não habilitadas acessando a rede da distribuidora para fazer ligações clandestinas. Estamos cumprindo rigorosamente o que diz a Lei”, afirmou.

Ainda segundo Radyr, os clientes que reclamam sobre corte de abastecimento de energia “não apresentam documentos, RG ou fatura de energia elétrica, exatamente por não ser cliente”.

Mas o vice-presidente da Casa, vereador Wallace Oliveira (Pros), contrapôs e afirmou que as reclamações sobre cortes que a Câmara tem recebido são comprovadas com documentos.

“Nós não recebemos aqui comunicações sem antes checá-las. Não vamos receber simplesmente uma comunicação de alguém que diz ter sua ‘luz’ cortada e acha que está tudo errado, não. [Antes] nós vamos checar e pedir a conta para saber a unidade consumidora dele”, disse Wallace.

Série de problemas

Os vereadores citaram, ainda, uma série de reclamações que recebem de consumidores como valores majorados que nunca foram reajustados e de funcionários que mexem em medidores na residências sem a presença dos proprietários.

“Algumas ações passam até sem o conhecimentos deles [empresa], como vídeos que estavam circulando por aí de funcionários fazendo deboche afirmando que iriam cortar energia. Se era de empresa terceirizada ou não, isso não importa, naquele momento estava representando a empresa”, disse Wallace.

Já o vereador William Alemão (Cidadania) questionou “o cumprimento da lei” que a empresa defende obedecer, já que no início da pandemia se recusou a inabilitar espaços comerciais que não estavam funcionando em cumprimento do decreto. “Enquanto vem a esta Casa, em audiência pública dizer que está tudo certo e dentro da lei, acabamos [sic] de provar que não”, disse.

Além disso, outros parlamentares presentes destacaram várias “quedas” e interrupções de energia em vários bairros da cidade.

Sobre isso, a Amazonas Energia disse que pode cometer erros, mas faz de tudo para que isso não ocorra.

“Nós temos 1,2 milhão de clientes e podemos cometer erros. E quem se sentir prejudicado pode nos procurar. Estamos abrindo mais sete lojas de atendimento para facilitar a vida das pessoas. Eu gostaria de obter, por parte da presidência, que vocês possam oficializar os pontos que foram discutidos, para que nós possamos responder ponto a ponto e o que tivermos equivocados iremos corrigir”, disse.

O vice-presidente da concessionária afirmou, ainda, que o órgão estuda realizar um “saldão” para regularização de dívidas de clientes.

Texto: Milena Soares

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