Apesar de ainda não ter obras paralisadas por faltas de insumos da construção civil, o mercado imobiliário do Amazonas prevê um aumento nos valores do metro quadrado de imóveis que serão lançados a partir deste ano.
A previsão é da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário no Estado do Amazonas (Ademi). De acordo com o presidente da entidade, Albano Máximo, a subida no preço dos materiais de construção, verificado em todo o país, inevitavelmente será repassado ao consumidor final nos novos empreendimentos.
“[A alta nos custos da construção] deve impactar o preço dos imóveis novos. Os imóveis antigos, que já foram vendidos, têm regras próprias de correção, então não trarão nenhum impacto para quem comprou. Mas a tendência é que haja, sim, um aumento no preço do metro quadrado de construção”, alertou.
Alta é mais um reflexo da pandemia
O presidente da Ademi, explicou que a crise nos preços dos materiais de construção foi causada pela baixa oferta desses insumos no mercado, como consequência da pandemia do coronavírus.
“As usinas, esperando que a economia praticamente parasse, diminuíram a produção. Isso aconteceu com cimento, com ferro e vários outros insumos. Então, na retomada, esse material faltou. E quando faltou o preço acabou subindo”, esclareceu.
Materiais
De acordo com levantamento feito pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM), entre fevereiro de 2020 e fevereiro de 2021, o preço do quilo do aço, por exemplo, subiu 87,23% no estado.
Também tiveram aumentos no período: cimento (+49,53%), concreto (+5,74%), areia (+14,75%), ferro galvanizado (+51,86%), vidro liso transparente (+172,20%), tinta látex PVA (+9,94%), fios de cobre (+37,40%), entre outros.
Primeiro semestre sem lançamentos
Ainda segundo Albano Máximo, mercado imobiliário começou 2021 andando a passos lentos. Lançamentos estão paralisados, por conta deste aumento no custo dos materiais, além das incertezas do setor com relação à inflação para este ano. “A expectativa é de que, a partir do segundo semestre, a situação se estabilize o o mercado retome os lançamentos de novos empreendimentos”, prevê o engenheiro.
Um reflexo positivo da falta de novos lançamentos é a diminuição dos estoques, ou seja, da quantidade de unidades disponíveis para venda no mercado, seja de empreendimentos antigos ou novos.
“Tínhamos uma certa preocupação com relação aos estoques mais antigos, que são imóveis de padrão mais alto. Mas no ano passado tivemos um aumento de vendas na ordem de 18% e uma diminuição do estoque na casa de 12%, o que é um número bem significativo e dá um indicador de mercado muito forte”, finalizou.
Reportagem: Lucas Raposo
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