quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Rebecca propõe união da "bancada amazônica" em defesa da Zona Franca

Com experiência de ex-deputada federal e ex-chefe da Suframa, Rebecca Garcia vê na união das bancadas o único meio para fazer frente aos ataques do ministro Paulo Guedes
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Com a experiência de dois mandatos consecutivos como deputada federal pelo Amazonas (2007-2015) e mais de um ano e meio (2015-2017) à frente da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), além de ser empresária e economista, Rebecca Garcia esteve no centro das principais decisões político-econômicas que envolveram o estado por pelo menos uma década.

Agora, distante do cenário político desde 2017, quando disputou eleição suplementar ao governo do estado, ficando em terceiro lugar e fora do segundo turno, ela continua acompanhando com preocupação o desenrolar de ataques promovidos pelo governo federal contra o Polo Industrial de Manaus. Em entrevista ao RealTime1, a ex-parlamentar e ex-superintendente da Suframa demonstrou preocupação com o futuro do modelo ZFM e, por consequência, com a economia do Estado, principalmente após as reduções das alíquotas do Imposto de Importação de bicicletas, eletrônicos e bens de informática, determinadas unilateralmente por resoluções do ministério da economia.

“É uma situação que nos preocupa. Independentemente de ter passado pela Suframa ou de ter ficado como deputada federal, somos empresários aqui da região e nós sabemos o quanto o Polo Industrial de Manaus é importante para a economia do nosso estado. Claro que a gente defende outras bandeiras. Sabemos da importância do comércio, que é o setor que mais gera empregos aqui. Mas também sabemos que o comércio só se mantém por conta da indústria”, lembrou Rebecca.

“Vimos com bastante preocupação aquela primeira tentativa de baixar as alíquotas do Imposto de Importação para as bicicletas, que acabou não indo adiante da maneira como o o governo federal queria, mas que também não ficou como era desejado pela indústria nacional. Sabemos que não era um ataque direcionado ao Amazonas, mas que afetava toda a indústria de bicicletas do país. Percebemos que aquele iniciativa tinha o objetivo único de beneficiar a importação de bicicletas, o que não gera nenhum emprego aqui no país”, avalia a ex-parlamentar.

União das bancadas

Conhecendo bem, tanto o parlamento federal como o funcionamento da Suframa, Rebecca Garcia vê na união das bancadas dos Estados que compõem a área de abrangência dos incentivos da Zona Franca de Manaus no Senado como o único meio de fazer valer os interesses da região, frente às decisões que inviabilizam o progresso da indústria local.

“Foi uma estratégia que nós usamos na época em que eu estava frente à Suframa. Eu procurei fazer um trabalho em conjunto com as bancadas de todos os Estados que são beneficiados pelos repasses da Zona Franca de Manaus, que compreende toda a Amazônia Ocidental e o Amapá, que tem a capital, Macapá, inclusa. Só aí, nós tínhamos 15 senadores. Acredito que não tenha nenhum partido que tenha mais de 15 senadores. Isso já seria uma grande força, ter 15 senadores unidos para defender os interesses da Zona Franca de Manaus. A mesma coisa vale para os deputados desses estados”, defendeu.

Bancada ‘Amazônica’ seria a maior, junto com MDB

De fato, nenhum partido possui mais de 15 representantes no Senado. A maior bancada na Casa, a do MDB, liderada pelo senador do Amazonas Eduardo Braga, é composta por exatamente 15 senadores.

“As decisões de Brasília são pautadas em números. Precisamos juntar um grupo forte para que se tenha número de votos suficientes na hora de uma decisão. Comprar briga com três senadores do Amazonas é uma coisa. Comprar briga com 15 senadores da Amazônia é outra coisa completamente diferente. Não sei se tem governo que tenha força para isso. Acho muito importante essa união”, alertou Rebecca.

‘Paulo Guedes nunca enganou ninguém’

Rebecca acrescenta ainda que essa necessidade de união entre as bancadas dos estados da Amazônia Ocidental, junto com o Amapá, se torna ainda mais urgente, principalmente diante da política econômica liberal adotada pelo ministro Paulo Guedes, que nunca olhou pelo modelo Zona Franca de Manaus.

“[A união das bancadas] é importante porque desde o começo nós percebemos que a política do ministro Paulo Guedes – e não falo em tom de crítica à pessoa dele, mas falo em tom de crítica enquanto amazonense – não está preocupada com a manutenção dos incentivos do modelo Zona Franca de Manaus. E ele nunca enganou ninguém. Ele (Paulo Guedes) sempre deixou muito claro que não defenderia esse incentivos. Então nós precisamos fazer a nossa parte como amazonenses, já que, por parte do ministério da economia não vemos nada próspero no sentido de fortalecer o modelo Zona Franca”.

Entidades também devem se posicionar

Mas além de cobrar os políticos, Rebecca Garcia também faz um chamado às entidades de classe do estado.

“Não acho justo também jogar só nas mãos dos políticos. Acho importante as entidades de classe estarem unidas e os empresários estarem defendendo e mobilizando, via entidades de classe, como Federação das Indústrias e Centro das Indústrias. Todo esse sistema precisa estar ativo e falando, para que sejamos ouvidos”, finalizou.

Reportagem: Lucas Raposo

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