O secretário Municipal de Obras e vice-prefeito de Manaus, Marcos Rotta (DEM), fez duras críticas ao ex-prefeito Arthur Neto (PSDB) ao receber, nesta terça-feira (9), o laudo elaborado pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (CREA-AM) sobre a construção do viaduto do Manôa, na Zona Norte. O estudo técnico apontou uma série de falhas de infraestrutura na obra entregue por Arthur no último dia da administração dele.
Segundo Rotta, que era também vice-prefeito na gestão de Arthur, a obra foi entregue de maneira apressada e irresponsável pelo ex-gestor da cidade. O laudo entregue pelo conselho contém sugestões e recomendações embasadas nas normas de engenharia, para que o viaduto seja entregue com segurança para a sociedade. A obra foi inaugurada no dia 31 de dezembro passado, e teve que ser fechada em menos de 24 horas por diversas irregularidades que colocavam em risco a segurança dos usuários.
A análise técnica aponta que, no levantamento topográfico, as cabeceiras de acesso ao viaduto estão com uma inclinação muito mais acentuada do que é recomendado pelas normas de engenharia, problema visível a olho nu. Além disso, as questões estruturais relativas às juntas de concretagem e dilatação também devem ser executadas o quanto antes, pois apresentam falhas, que também são percebidas em outros aspectos técnicos da construção.
Nas redes sociais o ex-prefeito se pronunciou sobre a interdição do viaduto. Ao responder a um seguidor, Arthur disse que usam a obra para perseguí-lo políticamente penalizando a população que precisa da obra. Ele também destacou que a construção foi feita por duas das mais “importantes e competentes” empresas de construção civil do Amazonas, a Soma e a J. Nasser. Arthur diz ainda que é uma obra necessária e que a manutenção da interdição dela prejudica apenas os moradores da Zona Norte.
Rotta disse que o laudo do CREA-AM é preciso tecnicamente e que a hora é de acionar o consórcio formado pelas duas construtoras para resolver os problemas apontados pelos técnicos.
“O laudo do CREA mostra um trabalho isento, independente, profissional e técnico. Agora vamos chamar o consórcio à sua responsabilidade e exigir que as recomendações do Conselho sejam seguidas à risca para o bem de uma obra extremamente importante para Manaus. Não dá para liberar a via do jeito que está”, afirmou Rotta.
O grupo de trabalho do Crea, formado por engenheiros de diferentes segmentos, liderados pelo presidente do Conselho, engenheiro Afonso Lins, estiveram no local no mês passado e fizeram a avaliação, amparados por documentos e projetos da obra que custou R$ 47 milhões. Para Lins, a obra foi entregue ainda inacabada.
“A pressa de fazer a entrega de uma obra grande como essa foi que ocasionou esses problemas. Muitos critérios não foram seguidos, projetos que não batem com a execução, até mesmo a resistência não foi obedecida, isso é grave. O próprio calculista diz que não houve desnivelamento em algo que é visível. Se estava tudo correto, porque fizeram um projeto de adequação? Recomendamos que ele seja revisto”, afirmou o presidente do Crea.
Sem custos
O vice-prefeito Marcos Rotta ainda disse que a prefeitura não vai gastar nenhum recurso a mais com as adequações da obra e que estes devem ser assumidos pelas empresas responsáveis pela execução do projeto.
“Todas as recomendações feitas pelo Crea serão custeadas pelo consórcio. A prefeitura não investirá um centavo a mais do que já foi investido no viaduto do Manoa. Nós vamos nos reunir imediatamente com os técnicos, subsecretários e engenheiros da Seminf e devemos já amanhã pela manhã chamar o consórcio responsável para repassar o que vamos determinar que seja seguido”, explicou o vice.
As obras do viaduto do Manoa ainda não têm previsão para serem entregues. Segundo o Crea, só a parte de concretagem deve durar em torno de 30 dias. A determinação do prefeito David Almeida e do vice Marcos Rotta é de que o viaduto seja entregue com qualidade e segurança na trafegabilidade.
Leia Mais:
‘Viaduto do Manoa’ será liberado após sinalização da área
Interdição: Trecho da Max Teixeira, no acesso ao Manoa, sofre alteração