Enquanto o ministro da economia Paulo Guedes se cala diante da possibilidade de extinção do segmento de bicicletas do Polo Industrial de Manaus (PIM), um novo ataque ao modelo vem sendo orquestrado nos bastidores da política em Brasília e ameaça mais de 15 mil empregos, inclusive em cadeias produtivas nos municípios de Presidente Figueiredo, na Região Metropolitana de Manaus, e Maués, na região do Baixo Amazonas.
Desta vez, caminhoneiros sugerem que o governo retire benefícios do setor de bebidas da Zona Franca de Manaus, como forma de compensar as perdas na arrecadação decorrentes da promessa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de zerar impostos federais do Diesel. O polo de concentrados de bebidas da Zona Franca envolve plantas em Manaus, em Presidente Figueiredo, onde há uma planta agroindustrial da Coca-Cola, e em Maués, onde a planta industrial é da Ambev.
“O Governo Federal tem a solução para subsidiar os aumentos dos combustíveis para a população. Basta apenas retirar o incentivo dado ao IPI às empresas fabricantes de concentrados de refrigerantes na Zona Franca de Manaus (ZFM). Simples, aí o Governo não irá ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal e estará de fato tomando medida em prol da população brasileira”, diz a ABRAVA (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores), em nota divulgada na segunda-feira (1).
Setor competitivo
Segundo o presidente da Federação das Indústrias e do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, o modelo de desenvolvimento da ZFM é pautado na política de concessão de incentivos fiscais e novas reduções ameaçam a manutenção da cadeia consolidada.
Ele cita que o governo federal garantiu a competitividade do setor ao fixar a alíquota do IPI em 8%, o que segundo o empresário, dentro das possibilidades, manteve o produto manufaturado na ZFM competitivo ante o mercado nacional.
“Necessitamos que o direito constitucional da ZFM seja resguardado. O nosso modelo de desenvolvimento, em razão da falha na infraestrutura logística da região, é pautado na política de concessão de incentivos fiscais. Hoje, com uma eventual redução desse estímulo ao desenvolvimento concedido pelo governo federal, o modelo pouco oferece para a manutenção da cadeia consolidada”, disse Silva.
A Fieam explica que o segmento de bebidas é considerado um subsetor econômico de primeira necessidade e de consumo recorrente, assim, o seu faturamento sofre uma variação pouco menor que a dos demais segmentos de bens de consumo duráveis.
Ainda de acordo a Fieam, o resultado total de 2020 foi negativamente muito impactado pelo segundo trimestre do ano, que apresentou uma retração absoluta da economia, do contrário, o segmento manteria seu crescimento paulatino.
Apesar da inevitável queda no cômputo global de 2020, o mês de novembro, por exemplo, em valores nominais, foi o melhor dos últimos cinco anos, com faturamento 43% superior ao de novembro de 2019.
Reportagem: Priscila Caldas
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