No imaginário popular, os ‘testas de ferro’ são comumente retratados como membros da máfia, traficantes ou espiões, mas na Amazônia Legal, eles assumem o papel de ‘laranjas’ por trás do desmatamento ilegal, mineração, extração de madeira e grilagem de terras.
De acordo com o site Repórter Brasil, a utilização de ‘laranjas’ para encobrir crimes ambientais tornou-se tão arraigada que é considerada parte da cultura local.
Os ‘laranjas’ são frequentemente pessoas comuns, pagas para assumir a responsabilidade e dificultar a identificação dos verdadeiros causadores dos problemas ambientais. Em muitos casos, eles são meros funcionários, parentes ou antigos proprietários explorados por figuras poderosas que lucram com suas atividades ilegais.
Conforme o site, o maior desafio para as autoridades é a dificuldade em punir esses crimes ocultos. Acordos informais, muitas vezes sem qualquer transação registrada, tornam-se obstáculos importantes para a aplicação da lei.
Mesmo quando enfrentam processos legais, os “laranjas” frequentemente escapam impunes, tornando a responsabilização um jogo de gato e rato que consome tempo e recursos importantes. Diante dessa rede de criminalidade ambiental, as autoridades buscam novas estratégias. Uma delas é confiscar os bens ligados a crimes, como terras desmatadas ou utilizadas ilegalmente.
Embora as apreensões de bens estejam se tornando uma estratégia mais comum, ainda há desafios a enfrentar.
Retirar gado de áreas desmatadas, por exemplo, pode ser uma tarefa perigosa e dispendiosa. Além disso, o rastreamento e a proteção dos crimes por trás do esquema de “laranjas” continuam sendo um grande desafio para as autoridades, que buscam formas de lidar com os poucos escondidos poderosos por trás desse sistema criminoso.
‘Laranjas’ no Amazonas
Em Lábrea, sul do Amazonas, as autoridades buscaram o responsável por atividades que resultaram em multas emitidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) entre os anos de 2016 e 2019, totalizando R$ 28,7 milhões em infrações.
A fazenda em questão, denominada Nova Liberdade, localiza-se na Gleba João Bento, uma área pública situada entre Porto Velho, em Rondônia, e Rio Branco, no Acre, no epicentro do chamado arco do desmatamento.
Agentes ambientais, com apoio do Ministério Público Federal, reuniram evidências que levam até o verdadeiro proprietário das terras. Segundo apontamentos, o verdadeiro proprietário das terras registrou a fazenda em parcelas no Cadastro Ambiental Rural (CAR) em nome de parentes ou funcionários dele, indicando o uso de “laranjas”.
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