O Fórum Ação da Cidadania, iniciativa criada pelo sociólogo Herbet de Souza, o Betinho, no início dos anos 90, informa no relatório de 2022 que 33 milhões de brasileiros estavam em situação de insegurança alimentar. Mas isso não é por falta de produção de alimentos no País.
Números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quinta-feira (14), mostram que em 2023 foram abatidos a impressionante marca de 34 milhões de bovinos, 6,28 bilhões de frangos e 57,7 milhões de suínos, frutos da pecuária mais pujante do mundo.
Além do abate dos animais, subprodutos deles também poderiam contribuir para reduzir a insegurança alimentar em nosso país: foram produzidos 24,52 bilhões de litros de leite cru; além de 4,21 bilhões de dúzias de ovos de galinha.
Embora impressionante, essa estatística de produção de alimentos não inclui, por exemplo, a produção de proteína de peixes e frutos do mar, o que certamente jogaria a quantidade de alimentos circulando na economia para níveis mais que suficientes para abastecer a população brasileira e ainda sobraria para alimentar o mundo.
De acordo com o pesquisador da Universidade Federal do Amazonas Sérgio Gonçalves de Oliveira, o problema da produção brasileira tem a ver com a necessidade de exportar grande parte dessa produção e o restante ainda sofrer com perdas ao longo do processo de transportes e estocagem.
“Todos sabemos a importância da exportação de alimentos para a balança comercial brasileira, mas sobra ainda muito alimento que é desperdiçado. Não está nessa estatística do IBGE, mas basta ir na área ribeirinha dos municípios para ver quanto de peixe morto é jogado de volta nos rios“, explica.
Em contato com o RealTime1, o Fórum Ação da Cidadania informou que ainda não fechou os números da insegurança alimentar referente a 2023, mas destacou que o ano de 2022 recolocou o Pais no Mapa da Fome, elaborado pela Organização das Nações Unidas Unidas (ONU), e evidenciou uma volta no tempo de mais de 30 anos.
“Em 1993, Betinho mobilizou a sociedade para a missão de tirar 32 milhões de pessoas da fome. Agora, em 2022, o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil revelou que há 33 milhões de famintos no país. Mesmo quem planta não tem o que comer. Quem ganha um salário mínimo, não consegue comer. Lares com crianças menores de 10 anos também são os mais vulneráveis”, escreve o Fórum.
Leia mais: