Às vésperas de mais uma eleição, a política brasileira enfrenta uma perigosa ameaça: os deepfakes. Essa tecnologia que usa inteligência artificial para criar vídeos e áudios falsos, vem se tornando uma cada vez mais frequente no cenário político do país.
Segundo o Relatório de Fraude de Identidade 2023, as deepfakes cresceram 830% no Brasil em um ano.
Os deepfakes políticos têm o potencial de distorcer a verdade, manipular opiniões e minar a confiança do público nas instituições democráticas. O uso de deepfakes não é uma exclusividade brasileira, mas a sua ascensão no país é evidente.
Políticos têm sido alvo de vídeos manipulados que os mostram supostamente envolvidos em situações comprometedoras, discursos falsos e declarações que não deram.
Nesta sexta-feira (22), o prefeito de Manaus, David Almeida, compareceu à Polícia Federal para denunciar um áudio onde sua voz foi supostamente manipulada de forma a proferir ataques e insultos contra professores municipais.
No último dia 11 de dezembro, a Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto alertou para a circulação de um vídeo falso do presidente Lula divulgando um sistema de saque de valores esquecidos. O site, também falso, era usado por criminosos para pegar dados pessoais e aplicar golpes.
Em outubro deste ano, a Justiça de Minas Gerais determinou ao Twitter que removesse posts publicados com conteúdo pornográfico falsamente atribuídos ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Foram removidos vídeos manipulados com imagens de sexo entre dois homens, onde supostamente o deputado mineiro era um deles.
Grupos de direita da Argentina e integrantes do partido de Milei, presidente eleito, compartilharam nas redes sociais um vídeo em que supostamente Sérgio Massa, seu adversário, aparecia fazendo uso de cocaína. A campanha de Massa condenou o uso de deepfake mas também usou a tecnologia para produzir vídeos que colocavam o peronista como herói.
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump compartilhou em mais de uma ocasião vídeos manipulados de seu oponente, Joe Biden. Em março de 2021, ele publicou um vídeo do candidato democrata no qual ele aparenta apoiar a reeleição de Trump.
A detecção de deepfakes é uma tarefa complexa, já que que essas produções muitas vezes apresentam qualidade impressionante.
Especialistas em segurança digital e empresas de tecnologia tem investido em soluções para identificar e combater essas manipulações, mas a disputa entre criadores e reguladores está longe de ter um vencedor.
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