Em entrevista ao RealTime1, o diretor da Amazônia e Meio Ambiente da Polícia Federal, Humberto Freire, fez um panorama do investimento milionário que o Ministério da Justiça anunciou para a segurança no estado.
Além da construção do novo prédio da superintendência da PF em Manaus, os municípios de Tabatinga e Humaitá vão ganhar novas delegacias.
O investimento do Governo Federal, através do projeto Amazônia Mais Segura (AMAS), vai injetar R$ 314 milhões na Polícia Federal. Aeronaves para os agentes também estão inclusas no valor.
Humberto Freire comentou sobre os altos índices de homicídios em Tabatinga, região de fronteira, e também do novo departamento que vai unir as secretarias de segurança dos integrantes da Amazônia Legal.
Confira a entrevista completa
Esse investimento milionário na Polícia Federal, que há muito tempo estava carente de reformas e recursos, como ele será distribuído e quais projetos serão feitos?
Humberto Freire: A primeira obra é a construção do novo prédio da Superintendência da Polícia Federal no Amazonas. Será um prédio mais moderno e também estamos investindo para construção de um prédio mais moderno da nossa delegacia em Tabatinga. Tem também a implantação de uma nova delegacia descentralizada no município de Humaitá, reforçando a presença da Polícia Federal no Amazonas.
Além disso, um quarto investimento que é a abertura de uma unidade avançada da nossa unidade de aviação, que será estabelecida em Manaus, para que a gente tenha meios aero táticos, aviões de pequeno porte, partindo de Manaus e servindo toda a Amazônia Legal, atuando em conjunto com outra unidade que a polícia federal está implementando que é o Centro de Cooperação Policial Internacional (CCPI), que ficou a cargo da Polícia Federal implementar.
Vamos implementar esse CCPI Amazônia, onde estarão representadas todas as secretarias de segurança pública da Amazônia Legal e também agentes policiais dos países que têm a Amazônia Internacional, como a França, e também organizamos internacionais como Interpol, Aeropol e a Ameripol.
A gente fortalece com isso a integração não só das forças de segurança pública do Brasil, mas também com as forças de segurança internacional
Para Polícia Federal serão investidos R$ 314 milhões, como locação de helicópteros, lanchas blindadas, bases flutuantes. Abertura de bases terrestres integradas com outras forças policiais. Serão 34 bases assim em toda a Amazônia Legal. É um plano para os próximos três anos para que a gente tenha uma mudança bastante expressiva na segurança pública da região amazônica.
Esse novo Centro de Cooperação Policial vai contar com uma integração, palavra comum ao se ouvir falar das forças de segurança do Amazonas. Porém, a realidade é bem diferente, principalmente em ações no interior do estado. Como isso pode mudar?
Humberto Freire: Todas as forças policiais elas já trabalham muito, já fazem muitas entregas, já combatem seriamente à criminalidade. O que a gente tenta com esse projeto de integração é unir esses esforços de forma planejada, concatenada para que a gente possa evitar sobreposição de esforços.
Se a Polícia Federal já está cuidando de uma certa área, as outras forças policiais passam a ser força apoiadora. Da mesma forma da gente atuando como força complementar em iniciativas da Polícia Militar, da Polícia Civil e até da Força Nacional, que é empregada em larga quantidade na Amazônia.
Com essa liderança da Polícia Federal no processo, para que a gente possa organizar esse esforço, porque a gente sabe que existe muitos problemas, mas que de forma integrada a gente consegue enfrentá-los e vencê-los.
O Amazonas sofre com os altos índices de crimes contra a vida. O que chama a atenção é o município de Tabatinga, na região de fronteira, que conta com um posto da Polícia Federal. Como esses investimentos serão usados para reduzir as estatísticas?
Humberto Freire: Quando a gente faz implementações de segurança pública nas regiões é obvio que ela não só surte efeito naquele objetivo principal, como o plano Amazônia Mais Segura (AMAS) tem um objetivo principal voltado ao meio ambiente, mas há um reflexo natural em outras criminalidades que são conexas.
A logística que é usada no crime ambiental acaba sendo a mesma logística utilizada pelo narcotráfico, pelo tráfico de armas e esses criminosos que atuam nesse tipo de crime é que geram, normalmente, na grande maioria das vezes, os homicídios, os crimes violentos.
Quando a gente tem essas iniciativas integradas, investimento, aumento de efetivos e de ações, a gente tem um reflexo não só de crimes ambientais, mas também nesses demais crimes, nos crimes contra a vida.
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