Considerada uma das maiores secas do Amazonas em mais de um século, a estiagem de 2023 despertou o setor industrial do estado para a urgência de alternativas logísticas para o escoamento e recebimento de mercadorias. Com isso, o funcionamento integral da BR-319 virou pauta prioritária dos empresários da Zona Franca de Manaus.
Em entrevista exclusiva ao RealTime1, o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) fez um balanço dos trabalhos na entidade patronal e sobre as dificuldades enfrentadas pelo segmento nessa seca, que de tão severa inviabilizou a viagem de navios com cargas de insumos para as fábricas do Polo Industrial.
Azevedo foi taxativo: “Vamos perseguir o asfaltamento da BR-319”.
Economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, Nelson Azevedo também é conselheiro do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (CIEAM).
Nesse período de estiagem severa, como está sendo esse diálogo entre os empresários da indústria e o governo?
Nelson Azevedo: Nós da região, principalmente o Polo Industrial de Manaus, nós já estamos acostumados. Nós temos esse fenômeno da enchente e da vazante. As empresas, em termos de insumos, material de produção, elas agem de forma preventiva, por conta disso. Inclusive, a preocupação agora é para o escoamento.
Lógico que tem empresas que deverão conceder férias coletivas ou até antecipando, aquela de dezembro. Tem empresas que tem feito nessa natureza e tem trabalhado para tentar manter a produção.
Estamos preocupados, principalmente, com as festividades do final do ano. Então temos empresas com estoques muito altos, que estão preocupados, que não tem a condição de sair e ir a tempo na empresa para abastecer o mercado brasileiro, até porque as nossas vendas para fora do Amazonas é imensa.
A federação procura estar em entendimento com as empresas para ter um diálogo, inclusive com as nossas autoridades, para ver o que junto o que nós podemos fazer para evitar que mal maiores podem acontecer.
Quais era as metas da Fieam para esse ano e o que foi alcançado até agora?
Nelson Azevedo: Nosso plano, para esse ano, era atender a necessidade das indústrias. Procuramos as empresas no começo do ano para saber quais as necessidades que as empresas teriam em termo de capacitação, em termo de inovação, em termo de ciência e tecnologia, se ela tem essa deficiência de mão de obra, que traga pra gente, porque se nós não tivermos aqui, mas nós temos no Brasil que tem essa estrutura toda, temos um convênio, para que isso seja fornecido.

Ou seja, nós sempre estamos procurando conversar com as empresas para que elas apontem suas necessidades e a gente busque resolver ou, pelo menos, amenizar a situação de cada empresa.
Quis são as principais dores das empresas relatadas à Fieam?
Nelson Azevedo: Quando é uma empresa que já funciona, é tentar ver onde tem gargalo de alguma coisa, causada até pelas nossas autoridades, seja no âmbito federal ou estadual. A gente procura sempre ter esse contato com as nossas autoridades para ver se ameniza essa situação.
Qual é a prioridade da indústria do Amazonas para 2024?
Nelson Azevedo: Nós estamos muito atentos para tentar resolver esse problema de logística. Dentro desse problema, além de tentar resolver a questão fluvial, um dos pontos que vamos perseguir, cobrar, juntar os políticos, é tentar reunir para a questão do asfaltamento da BR-319. Nós tivemos dois impactos muito fortes.
O primeiro foi com a Covid-19 e agora com a estiagem. Se nós tivéssemos a BR-319 funcionando, teríamos menos problema, até com a questão do custo. Mas (prioridade) é exatamente ter essa nossa estrada pronta e, com certeza, vai trazer uma melhora muito grande para nós e é um dos pontos que nós estamos perseguindo e tentando juntar com as nossas autoridades, os políticos de um modo geral.
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