Embora em declínio por conta da ascensão do transporte particular por aplicativos como Uber, 99 e In Driver, o transporte público por ônibus coletivos ainda representa a fatia majoritária entre os modais em Manaus. Essa é uma das conclusões do “Estudo Mobilize 2022”, publicado pela plataforma “Mobilize Brasil”.
Os dados da prefeitura mostram menos de 3% dos deslocamentos em Manaus são feitos com carros particulares, enquanto 53% das viagens são feitas em transporte por ônibus, condição que justificaria a prioridade aos coletivos.

Investimentos em transporte hidroviário e outros modais, como monotrilho, VLT e BRT, já foram ventilados anteriormente por políticos e técnicos e até mencionados no Plano de Mobilidade.
Contudo, ao estudo, o vice-presidente do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana de Manaus (IMMU), Alexandre Frederico, disse não ver viabilidade para sistemas de alta complexidade na cidade.
O primeiro sistema de corredor exclusivo, o Expresso (agora substituído pela Faixa Azul), só foi implantado no início dos anos 2000.
“Acho que devemos vencer uma etapa de cada vez, e a vez é dos corredores de ônibus”, afirmou Frederico. “O maior desafio das cidades dependentes do ônibus é projetar uma malha viária para atender ao transporte coletivo, com vias e faixas exclusivas, não conflitantes com o tráfego de veículos comuns”, analisou.
A prefeitura tem defendido versatilidade e preço como atributos para investir em ônibus.

Vantagens e pontos negativos
O coordenador do “Estudo Mobilize 2022” em Manaus, o historiador e mestre em Planejamento do Desenvolvimento Leonard Jeferson Barbosa vê aspectos positivos e negativos na política para o transporte manauara.
Segundo Barbosa, o forte subsídio da tarifa do sistema de ônibus permitiu às concessionárias do serviço congelarem a tarifa por seis anos, e ao município adotar, por exemplo, o passe livre estudantil.
“Os terminais de ônibus e corredores exclusivos também são pontos positivos”, destaca. O lado negativo, ressalva o pesquisador, é que “o estado de conservação dos veículos é muito, muito ruim e poucos são climatizados”.
Queda de passageiros dos ônibus
Em maio, ao anunciar o reajuste da tarifa para o usuário, a prefeitura informou que, desde 2017, o volume de passageiros por mês no sistema de transporte coletivo caiu de 23 milhões para 11 milhões.

Pesquisa divulgada no mês passado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que a redução de preço da tarifa, a diminuição do tempo de espera e o aumento da segurança são os maiores estímulos para que as pessoas voltem a usar mais o transporte coletivo urbano, dominado pelos ônibus.
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