A Confederação Nacional da Industrial (CNI) fez um estudo sobre a mobilidade urbana no Brasil. Com dados de uma década, foi concluída a necessidade de mais investimentos em sistemas de transporte de massa nas regiões metropolitanas.
Segundo a pesquisa, o investimento público em transporte urbano caiu a menos da metade (52%). Se, em 2013, os R$ 8,6 bilhões em recursos estatais já não eram considerados suficientes, o montante de R$ 4,1 bilhões no ano passado aponta uma tendência preocupante.
A crise de mobilidade urbana no país trouxe junto o uso crescente do transporte individual motorizado. Os subsídios para automóveis e combustíveis também aumentaram.
O uso do automóvel vem aumentando no Brasil: duas últimas décadas (2001 – 20), a quantidade de automóveis por habitante aumentou em cerca de 100% nas metrópoles do país e 140% no Brasil urbano não metropolitano.
Questão Financeira
O Estudo a ponta que a realidade depende da questão financeira da localidade, como no caso de Curitiba, que mesmo com o sistema Bus Rapid Transit (BRT), que serviu de modelo para o sistema de transporte coletivo para Manaus, 49% das viagens são feitas de veículo individual.
Já Salvador e Recife, que possuem uma rede menos estruturada, o percentual é de 22,1% e 16,7% respectivamente. Já no Rio de Janeiro, a porcentagem de 19,5% pode estar associada a um menor nível de renda de amplos setores da população metropolitana.
Metrôs e trens
Segundo a pesquisa, os transportes coletivos metroferroviários são mais eficientes para regiões de alta densidade econômica e populacional. A metrópoles de Salvador, Campinas, Manaus e Curitiba sequer tem transporte por trilhos, destaca o estudo.
Já em Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Recife, esse modal respondia por uma pequena parcela das viagens de transporte público. Mesmo em São Paulo, que possui uma participação de 11%, que é semelhante a de Buenos Aires (9%), Santiago (11%) e Cidade do México (13%) , a maioria das viagens de transporte coletivo ainda era realizada de ônibus, distante do observado em Seul, Londres e Nova York.
Maior tempo de deslocamento
Um panorama da situação da mobilidade no país requer informações sobre o tempo que as pessoas demoram para se deslocar nas suas atividades rotineiras. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), de 2001 a 2015, o tempo de deslocamento casa-trabalho nas regiões metropolitanas aumentou de 36 para 41 minutos.
O elevado tempo despendido para locomoção nos centros urbanos tem causado influências negativas sobre a produtividade do trabalho, o meio ambiente, a competitividade da indústria e o bem-estar da população brasileira.
Dos pontos de vista social, econômico e ambiental, uma mobilidade urbana sustentável deve priorizar meios de transportes ativos, como ciclismo e caminhada, e meios coletivos que reduzam tempos e custos de deslocamento; aumentem a segurança viária; e minimizem o impacto ambiental.
Investimentos
Os investimentos se situam na maior parte nos anos abaixo de 0,1% do PIB. Estima-se que seriam necessários cerca de 3% do PIB de 2022 em investimento em mobilidade urbana para que a população brasileira residente nas 15 principais regiões metropolitanas do país tenha acesso a um sistema de transporte público coletivo compatível aos padrões existentes na Cidade do México (México) e em Santiago (Chile), considerados como referências na América Latina.
Neste estudo da CNI, a conclusão é que, para fazer valer a política de mobilidade urbana no país, principalmente nas regiões metropolitanas, priorizando os transportes coletivos e os modos ativos, será necessário ampliar os investimentos na infraestrutura que dá suporte e permite operar esses modais sustentáveis.
Manaus
Foi aprovado em 2015 pela Câmara Municipal de Manaus (CMM) o Plano de Mobilidade Urbana (PlanMob-Manaus) que definiu o BRT (Bus Rapid Trasit) como modal a ser utilizado no transporte público da cidade.
PlanMob-Manaus tem a meta de reduzir em 15% o custo estimado do setor para os próximos 20 anos, além de investimentos prioritários na mobilidade coletiva e benefícios sociais superiores a R$9 bilhões no período, segundo a Prefeitura.
No Plano foi destacado que os projetos de sistemas estruturados no Brasil, mesmo com tecnologia de ônibus em corredores exclusivos, têm demandado mais de 10 anos para a sua implantação considerado o momento de sua concepção. No caso de sistemas ferroviários urbanos, este prazo é ainda maior, chegando a mais de 20 anos. Nesta condição, o emprego do BRT até o ano 2035 é uma solução adequada para as condições previstas.