A retomada das discussões no Senado sobre a nova lei do mercado de carbono merece atenção do Amazonas. Se aprovada como está, a legislação significará a perda de projetos do estado relativos ao mercado voluntário, e que sinalizam a injeção de alguns milhões na economia local. A afirmação é do governador Wilson Lima.
Segundo o governador, a preocupação com o tema não se limita ao estado. O Fórum de Governadores da Amazônia Legal pleiteia ser ouvido no Congresso e colaborar com a proposta.
O projeto que cria o marco legal do Mercado de Carbono no Brasil foi apresentado na Comissão de Meio Ambiente do Senado, no dia 30 de agosto. Relatora da proposta, a senadora Leila Barros (PDT-DF) disse que o texto prevê a criação do Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE) com objetivo de “fomentar a redução de emissões de gases de efeito estufa por meio de um sistema de comércio dessas emissões que internalize nas empresas os custos da emissão de carbono”.
“Há uma preocupação nossa sobre o PL que está tramitando no congresso sobre o crédito de carbono, inclusive o fórum dos governadores da Amazônia emitiu um documento alertando sobre essas preocupações em que as discussões deixam de fora os governadores. Já há projetos no Amazonas em que temos atividade de crédito de carbono do mercado voluntário. Se o PL for aprovado do jeito que tá, todos esses projetos serão perdidos”, disse Wilson Lima.
Agenda da Amazônia é diferente do mundo
“A agenda ambiental da Amazônia é diferente da agenda ambiental do mundo”, segundo o governador. Ele disse que, enquanto o mundo discute multiverso e inteligência artificial, os povos amazônidas necessitam de inovações do século passado, como energia elétrica, acesso a esgoto e água potável.
“A maioria das cidades do Amazonas não tem um abastecimento de água com a qualidade atestada. Enquanto o mundo está discutindo como é que vai se manter o conforto dos países ricos, a gente está aqui procurando aquilo que é básico.”
“O objetivo do mundo é manter a floresta do jeito que tá e não nos dá nem a possibilidade de estudar para saber se a gente, por exemplo, tem condições de explorar o potássio aqui do município de Autazes. Não nos dá a possibilidade de explorar o que a gente tem de minério, não nos dá a possibilidade de continuar explorando, por exemplo, o gás natural”, acrescentou.
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