Sobreviver a uma pandemia e recuperar o Estado para evitar sofrimentos futuros. Esses são os principais desafios apontados por Wilson Lima depois de 17 meses como governador do Estado. Algum arrependimento? Ele diz que não. Mas lamenta não ter começado o mandato com o conhecimento que tem hoje. Otimismo? Sempre. Principalmente no desejo de completar o planejamento de obras do Estado, de esquecer os momentos difíceis e deixar um legado de melhor saúde para os amazonenses. Se vai participar de alguma forma das eleições municipais? Nem pensar.
Qual o maior desafio da gestão pública no segundo semestre?
Sem dúvida, são dois desafios. Primeiro livrar o Estado de vez dessa pandemia. Os números já mostram um certo alívio que inclusive nos permitiu a abertura gradual de alguns setores. E segundo, a recuperação econômica do estado, resgate de empregos, geração de renda. O Estado está perdendo receita e nós temos que dar uma resposta confiável à sociedade. Temos que sair da pandemia com uma saúde melhor, com salários de servidores em dia, como estamos conseguindo, e com capacidade de manter a máquina funcionando. vai ser um grande desafio, mas estou convicto que vamos vencer.
O que o senhor faria de diferente dos atos praticados, após 17 meses como Governador?
Não sou de me arrepender de meus atos. Confio em Deus e pauto minha vida na humildade e no respeito. Mas eu gostaria de ter começado o governo com o conhecimento que temos hoje da máquina pública, do governo, de como funcionam essas engrenagens. Aqui não basta fazer o que podemos, o que queremos, temos que fazer o que é necessário. Então, eu não mudaria meus atos, provavelmente mudaria minha atitude.
O senhor considera a possibilidade de se envolver direta ou indiretamente nas eleições na cidade de Manaus?
Não. Esse assunto está encerrado pra mim. Volto à sua primeira pergunta, livrar o estado da pandemia e garantir a recuperação econômica. Essas são as prioridades. não vejo nem como alguém na minha posição conseguiria tempo pra pensar em eleição.
Qual o seu desejo e/ou sentimento em relação a SUSAM após a pandemia?
Objetivamente, sair dessa crise com uma nova Susam, uma nova cara e, acima de tudo, uma saúde que efetivamente funcione. Chega de filas para cirurgias, chega de crises num setor que é a maior preocupação das pessoas. Vamos fortalecer a saúde no interior, alcançar mais nossa gente com serviços de especialistas que hoje só temos na capital. Estamos focados na pandemia, mas já estamos trabalhando num projeto que vai garantir essa nova saúde no Estado. Eu quero poder dizer ao povo do amazonas que nunca mais vamos passar pelo que vivemos nessa pandemia.
Quantas obras o seu governo entregará este ano? Cite algumas?
Em relação às obras de infraestrutura, o nosso governo retomou, no dia 1º de junho, a execução das 53 obras na capital e no interior. Essa retomada representa a geração de mais de 10 mil empregos diretos e indiretos, e investimento na ordem de R$ 386,3 milhões. Os recursos estão distribuídos entre obras nas áreas de saúde, segurança, infraestrutura, saneamento e educação. Além de movimentar a economia em todo o estado, o Governo do Amazonas também deve arrecadar pelo menos R$ 82.142.537,71 com o início, manutenção e retomada das obras no estado.
No panorama de retorno das obras da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), podemos destacar que, para este ano, vamos concluir mais de 20 obras de sistema viários do interior, entre eles estão as cidades de Parintins, Tabatinga e Manacapuru. Na parte de obras prediais, podemos destacar a conclusão do Hospital do Sangue e a reforma do Hospital João Lúcio, além das melhorias no prédio da UEA em São Sebastião do Uatumã.
Em termos de estradas, vamos concluir a recuperação das estradas de Silves (AM-330) e Itapiranga (AM-363) que sofreram com problemas de erosões. Temos também a conclusão das obras de manutenção dos trechos críticos da Rodovia AM-010 (Manaus/Itacoatiara), que deve receber um projeto de modernização em toda sua extensão ainda em nossa gestão.
Em relação às obras do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), inauguramos recentemente as obras na Rua Walter Rayol, na área popularmente conhecida como Bariri, no bairro Presidente Vargas, na zona sul. Entregamos também a Ligação Viária Luiz Antony (LLA), que se tornou uma via alternativa aos motoristas que saem dos bairros da zona oeste em direção à área central de Manaus, por meio da rua Luiz Antony, no bairro da Aparecida, zona sul. Essa via possui iluminação de LED, ciclovia, praças, pista de caminhada e espaços para práticas esportivas.
Outra obra entregue em nossa gestão neste ano foi o Parque da Castelhana, localizado no início da rua Luiz Antony, com entrada pela avenida Constantino Nery, ao lado do Terminal de Integração (T1). O local foi revitalizado e equipado com academia ao ar livre, área para caminhada, bancos, arborização e quadra multiuso, tornando-se uma ótima opção aos moradores das zonas sul e oeste. A previsão é que possamos entregar até o final deste ano a reforma dos sete Parques Urbanos do Prosamim.
A queda da arrecadação conforme os dados da SEFAZ apontam para algum pacote de medidas? Cite duas ao menos.
Para compensar a queda de arrecadação com a crise do coronavírus, o Governo do Amazonas tem trabalhado em duas frentes: redução da despesa/melhoria da qualidade do gasto público e obtenção de receitas extraordinárias. Tais medidas permitiram, por exemplo, a garantia do cumprimento do pagamento do salário dos servidores públicos estaduais neste ano de crise, assim como a manutenção da qualidade dos serviços públicos
Qual o aprendizado que o senhor adquiriu depois destes 90 dias difíceis de Pandemia?
Que a saúde não pode esperar. Que a população não aceita mais a saúde que temos, que recebemos lá em janeiro de 2019. Todos nós aprendemos com essa pandemia. Ninguém estava preparado, nenhuma cidade, nenhum estado, nenhum país. não havia diagnóstico, não havia estrutura, não havia e não há remédio definitivo, não tem vacina, não tem estudo científico completo sobre o coronavírus. O mundo se ajoelhou para esse vírus.
O impeachment proposto no meio da crise teve que objetivo afinal?
O impeachment, primeiro, não tinha sentido algum. Não fiz nada que justificasse esse movimento. Não tenho um só ato que desabone minha conduta. Foi um movimento político eleitoral, oportunista e sem qualquer fundamento. A Justiça tem nos dado razão e penso que viramos essa página que, infelizmente, ainda nos tirou algum tempo, ainda desviou atenções e desperdiçou energias que deveriam ser voltadas para evitar mortes e todo esse sofrimento para nosso povo.