Um vídeo bem produzido em defesa da CPI da Saúde está circulando em aplicativos de mensagens e redes sociais. Intitulado “CPI da Saúde não pode parar – A verdade tem que aparecer”, o vídeo evidencia práticas utilizadas pelo bolsonarismo.
Ou seja, pagar caro por produção de conteúdo e impulsioná-lo para manipular a opinião pública.
Utilizada pelo chamado “gabinete do ódio” em Brasília, a prática parece ter chegado à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
O esquema têm rendido dor de cabeça ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) em inquérito sobre fake news.
O vídeo
O vídeo mescla imagens reais a montagens, com rostos de personagens da CPI da Saúde colados a outros corpos. Da mesma forma, manipula pretensos diálogos com dublagens.
Até mesmo a recente tecnologia do deep fake, que coloca o rosto de uma pessoa em outro vídeo para parecer que ela disse o que, na verdade, não disse é utilizada.
Neste caso, o vice-governador Carlos Almeida Filho (PTB) surge proferindo a frase: “Tem gente bem maior”.
No final, uma imagem do deputado estadual Delegado Péricles (PSL), de máscaras, é casada com a frase “vai rodar todo mundo”.
Judicialização
O vídeo é uma resposta a duas decisões judiciais que atingiram em cheio a CPI da saúde nesta semana. Na primeira, na terça-feira (16), o desembargador Ernesto Anselmo Queiróz Chíxaro deferiu decisão liminar suspendendo a CPI por ilegalidade.
Já na quinta-feira (19), outra decisão liminar da Justiça, desta vez da juíza Onilza Abreu Gerth, suspendeu os atos que designaram os membros da CPI.
Em outras palavras, a primeira decisão pressupunha a possibilidade de retorno dos trabalhos da CPI. Já a segunda, exigiria uma troca na composição dos membros da CPI. Atacando, portanto, o cerne da disputa na Aleam.
Milícias digitais
As deputadas Alessandra Campêlo (MDB) e Joana Darc (PL) denunciaram, em maio, a existência de milícias digitais contratadas com dinheiro público para atacar opositores dos contratantes.
As deputadas relataram estar sofrendo ataque dessas milícias em suas redes sociais. Alessandra chegou a mostrar áudios revelando o modus operandi das milícias.
A emedebista apresentou ainda uma lista de 13 parlamentares que seriam os alvos dos ataques da milícia nas redes sociais.
Joana Darc denunciou um episódio em que sua imagem, acompanhada de uma frase deturpando uma de suas falas, circulou nas redes sociais e foi compartilhada por aliados de políticos de oposição.
Ou seja, foi feito um meme de Joana Darc, no qual ela era inclusive chamada de “cachorra”. Da mesma forma, os memes são outra prática comum ao bolsonarismo.