segunda-feira, 28 de setembro de 2026
PESQUISA

Veneno de aranha brasileira: esperança para novos tratamentos contra o câncer

A descoberta da molécula no veneno da aranha brasileira é um marco na pesquisa contra o câncer e representa um passo importante na busca por novos tratamentos mais eficazes e menos agressivos
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A aranha Vitalius wacketi habita o litoral paulista - (Foto: Rogério Bertani/Instituto Butantan)

Cientistas brasileiros do Hospital Israelita Albert Einstein e do Instituto Butantan, em São Paulo, estão trabalhando em uma pesquisa que pode revolucionar o tratamento do câncer. A esperança vem do veneno da aranha Vitalius wacketi, encontrada no litoral paulista.

A molécula promissora não é extraída diretamente do veneno, mas sim sintetizada em laboratório a partir de técnicas patenteadas pelos próprios especialistas. Em testes iniciais, a substância se mostrou eficaz no combate à leucemia, com vantagens em relação à quimioterapia tradicional.

Ainda em fase inicial, os estudos precisam avançar para garantir a segurança e a eficácia da molécula. Testes em mais células e cobaias serão realizados antes de iniciar os testes clínicos em seres humanos.

As origens da pesquisa remontam a três décadas atrás, quando expedições do Instituto Butantan percorriam o litoral paulista coletando aranhas. O biólogo Pedro Ismael da Silva Junior, do Laboratório de Toxinologia Aplicada do Butantan, e o aracnólogo Rogério Bertani, também do Butantan, foram pioneiros nesse trabalho.

Pedro Ismael, pesquisador do Butantan, é especialista em sintetizar moléculas extraídas da natureza com potencial terapêutico

Anos depois, o bioquímico Thomaz Rocha e Silva, do Einstein, entrou em cena. Em seu doutorado, ele investigou as propriedades farmacológicas do veneno da aranha. Uma molécula com atividade neuromuscular chamou sua atenção, mas o projeto foi engavetado por falta de interesse comercial.

Em 2000, um aluno de Rocha e Silva reviveu o projeto, e novos testes revelaram uma pequena poliamina com potencial citotóxico (que mata células) no veneno da Vitalius wacketi. Essa molécula foi isolada, purificada e sintetizada em laboratório, abrindo caminho para os testes in vitro que mostraram sua eficácia contra células cancerígenas.

O cientista Thomaz Rocha e Silva, do Einstein, testou a molécula contra células de leucemia

A busca por parcerias com empresas farmacêuticas está em andamento para garantir os investimentos necessários para o desenvolvimento da molécula e a realização de testes clínicos. A esperança é que, em um futuro próximo, o veneno da aranha brasileira possa ajudar a salvar vidas na luta contra o câncer.

Pontos importantes da pesquisa

Espécie da aranha: Vitalius wacketi
Localização: Litoral paulista
Instituições: Hospital Israelita Albert Einstein e Instituto Butantan
Molécula: Pequena poliamina
Potencial: Combate à leucemia
Vantagens: Mais eficaz e menos agressiva que a quimioterapia
Fase da pesquisa: Testes in vitro
Próximos passos: Testes em mais células e cobaias, testes clínicos em seres humanos
Parcerias: Busca por empresas farmacêuticas

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