O mercado de carros importados no Amazonas cresceu, de acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa). O estado vendeu 2.137 carros provenientes do exterior, entre modelos do tipo autos e comercial leve, um crescimento de 5,63% no volume de vendas.
De janeiro a setembro do ano passado, foram comercializados no estado 2.023 veículos importados, conforme os dados da Abeifa.
Para o economista André Cardoso, a ampliação desse mercado é um reflexo da recuperação da economia nacional.
“Alguns fatores como a recuperação econômica do país, a transição tecnológica, com o maior interesse por veículos híbridos e elétricos, puxou o crescimento de vendas dos importados, até agora, além da pouquíssima disponibilidade de carros nacionais no segmento híbrido e elétrico. Esses carros trazem embarcada a tecnologia mais recente com motor câmbio e soluções inteligentes na condução dos veículos, levando mais praticidade pra vida das pessoas”, explicou.
Em 2022, Manaus foi a capital da região norte que mais vendeu veículos elétricos, segundo levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Foram 451 unidades ano passado.
“A tendência é cada vez maior, por conta dos avanços tecnológicos como a duração da bateria e principalmente pela pressão ambiental, já que o carro elétrico a poluição e mínima. O Carro mais vendido e da Marca BYD (Build Your Dreams), e é um veículo Dolphin 100% elétrico”, emendou Cardoso.
Já para o economista Altamir Cordeiro, embora as vendas de carros importados tenham crescido a participação desse segmento no mercado automotivo é pequena.
“Sabemos que os impostos são bastante pesados e poucos brasileiros conseguem importar. O que esperamos é a reforma tributária ser aprovada no país, para que o volume de carros comercializados tanto nacional quanto importados possam ser ampliados, gerando empregos e renda no país. Afinal de contas, a indústria automobilística é um grande empregador e movimenta várias atividades econômicas no país”, disse.
Concessionárias explicam vendas em alta
O gerente de vendas da concessionária Just Motors, João Ponce de Leão, acredita que esse aumento aconteceu por dois fatores: o valor de carros nacionais estarem muito próximo do valor de um importado e pela forma como as pessoas querem se apresentar na sociedade.
“Hoje em dia, um seminovo, um Volkswagen Virtus, por exemplo, custa cerca de R$140 mil para pessoa física e, por esse valor, você tem uma vasta opção de marcas importadas. Então, ao invés do cliente comprar um Virtus, ele opta pelo importado com boa quilometragem e que atenda suas necessidades. Outra coisa que tem feito as pessoas comprarem é o trabalho. Arquitetos, por exemplo, precisam se vender primeiro antes de vender o produto, essa é a primeira coisa que os clientes observam: como a pessoa chegou para atendê-los”, explicou.
Segundo o gerente, muitos clientes procuram a loja para trazer carros que não são encontrados no Brasil e fazer importação direta, como no caso do Ford Mustang, 100% elétrico, que vem dos EUA. Esse modelo custa em média R$566 mil. Na concessionária em Manaus, havia dois modelos deste. Mas um já havia sido vendido.
Leão explicou também que, apesar do aumento das vendas até setembro, para o final do ano a tendência é cair já que as pessoas preferem viajar. Para este período, a concessionária desenvolve outras formas para atrair clientes: fazê-los vender seus carros antigos para que, após as datas festivas, possam comprar um novo.
“O nosso forte é a consignação, ou seja, o público nos procura para vendermos o carro deles, então a maior parte dos carros daqui é de consignados. Em épocas de natal, ano novo, carnaval, que as pessoas estão viajando, as vendas tendem a cair, por isso, no final do ano a gente trabalha para fazer o cliente vender seu carro conosco para guardar o dinheiro e lá para fevereiro e março comprar um novo”, disse.
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