O período de vazante na região poderá resultar em apagões de energia elétrica em 23 municípios do interior do Amazonas.
A seca dos rios, aponta a concessionária Amazonas Energia, pode dificultar o transporte de combustível para abastecimento das usinas termoelétricas.
De acordo com dados da Defesa Civil, 23 municípios estão fora da normalidade do ritmo de seca, sendo um em situação de emergência, 15 em situação de alerta e sete em situação de atenção.
“Em todos os municípios que podem ser afetados pela vazante, o serviço de energia é realizado por meio de termoelétricas, que dependem do diesel para funcionar”, explica o diretor de Relações Institucionais da Amazonas Energia, Radyr Gomes.
Diesel viaja um mês
É o caso de Benjamin Constant, localizado na tríplice fronteira (Brasil, Peru e Colômbia). O município foi o primeiro a ser afetado pela estiagem e vazante extrema dos rios Javari e Solimões. A prefeitura declarou situação de emergência no último dia 3 de agosto.
A seca alterou, drasticamente, o tempo de viagem de barco de Manaus até a cidade. O percurso que antes era feito em 20 dias está sendo concluído em até um mês. Com isso, as balsas da Amazonas Energia que levam o combustível para manter a termoelétrica em funcionamento estão demorando mais para chegar com o insumo.
Mensalmente, a Amazonas Energia abastece as termoelétricas das localidades de Auxiliadora, Axinim, Sucunduri, Itapiranga, Rio Preto da Eva, Silves, Camaruã e Jacaré com até 3.519.000 litros de diesel, quantidade suficiente para gerar energia durante esse período e atender a população.
“A concessionária leva o diesel de Manaus porque o custo é menor. Se fosse adquiri-lo nas cidades próximas, o gasto iria duplicar, correndo risco de não encontrar o produto na quantidade necessária. Com a descida das águas, demora mais tempo o transporte. Se houver aumento de consumo neste período, o que deve ocorrer pelo calor excessivo, é possível que não consigamos suprir a demanda a tempo de evitar um racionamento”, detalhou Radyr Gomes.
Pontos mais críticos
Os outros municípios são abastecidos pelos Produtores Independentes de Energia (PIES), que somam o total de 84 usinas em funcionamento, com três a serem instaladas. Os PIES geram energia de forma independente e a comercializam com a Amazonas Energia.
Os pontos mais críticos em relação à logística estão situados nas calhas do Juruá e Alto Solimões, no município de Maraã e comunidades do Limoeiro, Vila Bitencourt e Purus.
Descarregar, um custo extra
Além do tempo da viagem, descarregar o produto é outro importante fator impacta diretamente no serviço prestado, segundo a concessionária. Como os produtos enviados em grande quantidade são extremamente pesados, em muitos casos precisam ser carregados porque os caminhões não conseguem chegar até a balsa pelo terreno instável.
“Reforçamos nossas equipes. Antes, eram 30 trabalhadores. Agora são 50 e, mesmo assim, o trabalho é demorado”, explicou Radyr Gomes, exemplificando que um poste pode pesar mais de uma tonelada. “Não é tarefa fácil carregar nas costas por pelo menos 300 metros até posicioná-lo no meio da floresta”, acrescentou.
Apenas a capital Manaus, municípios da região metropolitana e Parintins estão ligados ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Todos os demais dependem de usinas termoelétricas para terem energia.
Situação atualizada
Segundo dados da Defesa Civil do Amazonas há um município em situação de emergência, sete em atenção e 15 em alerta.
Situação de Emergência: 01
- Calha do Alto Solimões: Benjamin Constant
Situação de Atenção: 07
- Calha do Madeira: Humaitá, Apuí, Manicoré e Novo Aripuanã
- Calha do Médio Solimões: Maraã
- Calha do Purus: Lábrea e Canutama
Situação de Alerta: 15
- Calha do Juruá: Guajará, Ipixuna, Envira, Itamarati, Eirunepé, Carauari e Juruá
- Calha do Purus: Boca do Acre e Pauiní
- Calha do Alto Solimões: Atalaia do Norte, Tabatinga, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá e Tonantins