Um total de dez municípios do Amazonas está em “Situação de Emergência” e outros 17 estão em “Situação de Alerta” por conta da vazante dos rios da bacia Amazônica. As duas situações são as mais graves conforme relatório da Defesa Civil do Amazonas divulgado nesta quarta-feira (20).
Por conta do fenômeno, uma série de ações foram tomadas para conter os prejuízos e reduzir o impacto nas populações destes municípios. No setor primário, o Governo do Estado criou um gabinete unificado para gerenciar todos os levantamentos que evidenciam o período de seca no Amazonas.
O objetivo do gabinete é reduzir a queda da produção agrícola e demandará o investimento de aproximadamente R$ 100 milhões em ações distribuídas por 30 órgãos da administração direta e indireta, principalmente os ligados ao sistema da Secretaria de Produção Rural (Sistema Sepror).
“Esse gabinete será responsável por reunir todas as informações das regiões que poderão ser afetadas, neste período de seca, de acordo com relatórios da Defesa Civil e demais órgãos”, disse o governador Wilson Lima.
Municípios em Estado de Emergência:
- Calha do Alto Solimões: Benjamin Constant, Amaturá, São Paulo de Olivença, Santo Antônio do Içá.
- Calha do Juruá: Envira, Itamarati, Eirunepé.
- Médio Solimões: Tefé, Jutaí, Uarini.
Municípios em Estado de Alerta:
- Calha do Purus: Boca do Acre e Pauini.
- Calha do Madeira: Humaitá, Manicoré e Novo Aripuanã.
- Calha do Juruá: Guajará, Ipixuna, Carauari e Juruá.
- Calha do Alto Solimões: Atalaia do Norte, Tabatinga e Tonantins.
- Médio Solimões: Coari, Alvarães, Fonte Boa, Maraã, Japurá.
Alunos afetados pela vazante
A vazante dos rios no Amazonas já afeta 355 estudantes da rede estadual de ensino. No total, seis escolas vão adotar o calendário letivo especial de modo a repor os dias de aulas suspensas devido ao problema.
A estimativa, contudo, é de que o avanço da vazante impacte na vida escolar de ao menos 20 mil estudantes em todo o Estado. Para diminuir o impacto, a Secretária de Educação (Seduc) terá R$ 1,6 milhão para a aquisição de kits de alimentação em substituição a merenda escolar regular.
No total, a Seduc informou que acompanha a situação em escolas de 45 municípios do Amazonas que já estão em Estado de Atenção, Alerta ou Emergência, os mais graves na escala da Defesa Civil.
Vazante recorte x aquecimento de oceanos
Ao menos dois fenômenos simultâneos podem agravar e prolongar a seca na Amazônia. Além do El Niño, que aumenta a temperatura das águas superficiais do oceano Pacífico Equatorial, o aquecimento do Atlântico Tropical Norte, logo acima da linha do Equador, inibe a formação de nuvens, reduzindo o volume de chuvas na Amazônia.
Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que monitora os rios da bacia Amazônica, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que prevê redução das chuvas para a região Norte, e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que acompanha os impactos do El Niño no Brasil, apontam para a simultaneidade dos fenômenos.
“O evento do Atlântico Tropical Norte está se somando ao El Niño. Dois eventos ao mesmo tempo são preocupantes. Tivemos isso entre 2009 e 2010, que foi a maior seca registrada na bacia do rio Negro nos últimos 120 anos”, explica o meteorologista Renato Senna, responsável pelo monitoramento da bacia amazônica no Inpa.