quinta-feira, 25 de julho de 2024

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Vagas em cemitérios públicos, um problema para a Manaus 354

Novas vagas para sepultamento em cemitérios públicos de Manaus só estão abertas em um dos dez espaços administrados pela prefeitura
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Entrada do cemitério público São João Batista, em Manaus
Ao contrário do que muitos manauenses pensam, o cemitério São João Batista não é o mais antigo administrado pela prefeitura de Manaus

A cidade de Manaus vai completar 354 anos no próximo mês de outubro ainda envolta com uma série de problemas sociais e de infraestrutura urbana. Mas em uma área específica a cidade caminha a passos largos para a exaustão: vagas para sepultamento de seus moradores em cemitérios públicos.

A oferta em cemitérios privados aumentou significativamente nos últimos anos, principalmente com a abertura de estabelecimentos na rodovia AM-070, a Manoel Urbano. Mas por conta da pandemia da Covid-19, um dos três abertos, já comercializou todas as vagas disponíveis.

Para quem não tem recursos para contratar um plano privado, a solução passa pelos 10 superlotados cemitérios públicos de Manaus, seis na zona Urbana e quatro na zona rural da capital. De todos, apenas o Nossa Senhora de Aparecida, no bairro Tarumã, Zona Oeste, tem espaço para receber novas sepulturas.

Nos demais nove cemitérios públicos, os sepultamentos são feitos apenas em jazigos familiares, o que demanda que o morto seja familiar do proprietário ou do responsável legal pela sepultura.

Outra possibilidade é que o morto receba autorização do proprietário ou do responsável legal para ser sepultado no jazigo particular da família no cemitério público em questão.

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Ou seja, você que é dono da sepultura, pode autorizar que outra pessoa, não familiar, seja sepultada, mas ai você não poderá usar a sepultura pelo prazo legal de cinco anos. Se morrer neste espaço de tempo terá de ser sepultado em outro cemitério público ou comprar uma vaga em um cemitério privado.

Cinco anos também é o prazo da cessão de jazigo no cemitério público de Nossa Senhora Aparecida, o único que tem espaço para novas sepulturas. Após este período, a família terá de retirar e levar os restos mortais do sepultado para o ossuário do local ou transferi-los para um outro jazigo em outro cemitério.

Com essa transferência – após os cinco anos – a administração do cemitério pode abrir novas vagas para sepultamentos do público em geral. É importante lembrar que não há mais novos jazigos perpétuos nos cemitérios de Manaus.

A história por trás dos cemitérios públicos de Manaus

Os historiadores costumam usar os cemitérios como objetos de estudo para contar ou recontar a história de uma cidade e com Manaus isso não é diferente.

O caso do cemitério indígena descoberto nos anos 90 do século passado em plena praça Dom Pedro II, no Centro de Manaus, sugeriu uma frente de contato mais frequente entre os Barés e os portugueses que montaram na ilha de São Vicente, o forte que deu origem a Manaus.

Com o crescimento populacional, aumento da urbanização de Manaus e a vida social, a prefeitura criou, em 1856, o extinto cemitério São José, localizado onde hoje está a sede do Atlético Rio Negro Clube, na avenida Epaminondas.

Em 1890, parte dos sepultados foi transferida para o novo cemitério da cidade, o São João Batista, que muitos consideram o mais antigo de Manaus. No entanto, ele foi fundado depois de dois outros localizados na Zona Rural: o Santa Joana do Puraquequara, de 1870, e o São José de Jatuarana, de 1880.

De acordo com a Secretaria Municipal de Limpeza Pública, que administra os cemitérios de Manaus, existem 19 mil sepulturas no São João Batista em suas 24 quadras espalhadas por 10,11 hectares. Estima-se que nelas estejam sepultados mais de 100 mil pessoas.

Outro dado interessante sobre o São João Batista é que dentro dele existe um outro cemitério, o Israelita, fundado em 1928. Lá os mortos são sepultados com tradições diferentes das conhecidas do manauense, como a prática de colocar pedras nas lápides ao invés de flores.

O São João Batista também guarda uma história curiosa com os judeus que emigraram para Manaus, pois lá foi sepultado o rabino Shalom Emanuel Muyal, considerado um “santo milagreiro” pelos cristão do início do século passado.

Por conta dessa inusitada devoção ao “santo judeu”, o Comitê Israelita do Amazonas (responsável pela administração do local) não cogitou transferir os restos mortais de Muyal para a área restrita do cemitério Israelita, pois não queria gerar animosidade com os cristãos que o tinham como um santo.

Cemitério público e a marca de um estigma

Fundado em 1918, o cemitério Santo Alberto foi a “morada final” dos pacientes de hanseníase internados na Colônia Antônio Aleixo e que foram trazidos do antigo Leprosário do Paricatura, hoje localizado em terras do município de Iranduba.

A Colônia era destinada para a internação forçada dos pacientes, que eram isolados das próprias famílias e conviviam com um sistema de saúde excludente. Essa política pública de isolamento perdurou até os anos 80, quando a ciência e a medicina encontraram uma cura para a doença.

Atualmente, a Colônia Antônio Aleixo ainda abriga familiares dos antigos internados e estruturas criadas para a vivência deles no local, como o hospital Chapot Prevost e o cemitério Santo Alberto.

O menor e desconhecido cemitério público de Manaus

Ele está “encravado” no limite da maior zona de Manaus, a Norte, com a zona de maior expansão da cidade, a Oeste, e todos os dias milhares de manauenses passam pela frente dele sem sequer desconfiar da existência do cemitério Nossa Senhora da Piedade, fundado em 1901, no bairro Tarumã.

Para você ter uma referência, ele está por trás de um hotel e uma engarrafadora de água mineral instaladas entre as avenidas Torquato Tapajós e Santos Dumont, a antiga estrada do aeroporto.

A área total estimada é de menos de 0,69 hectares, com uma quadra e a média de um sepultamento diário. Os jazigos são perpétuos e só são aceitos sepultamentos de familiares dos donos ou de alguém autorizado por eles.

Também era conhecido como cemitério do Cariri, por óbvia relação com os nordestinos que vieram para o Amazonas durante o apogeu do ciclo da borracha.

Cemitério Nossa Senhora da Piedade, no Tarumã, em Manaus
Cemitério Nossa Senhora da Piedade, no Tarumã, entre as zonas Norte e Oeste

Os cemitérios públicos de Manaus

Área urbana:

  • São João Batista (Nossa Senhora das Graças), fundado em 1890;
  • Nossa Senhora da Piedade (Tarumã), fundado em 1901
  • Santo Alberto (Colônia Antônio Aleixo), fundado em 1918
  • Santa Helena (Glória), fundado em 1930;
  • São Francisco (Morro da Liberdade), fundado em 1937
  • Nossa Senhora Aparecida (Tarumã), fundado em 1976

Zona Rural de Manaus:

  • Santa Joana do Puraquequara, nas margens do lago do Puraquequara, fundado em 1870;
Cemitério Santa Joana do Puraquequara, na Zona Rural de Manaus
Cemitério Santa Joana do Puraquequara, na Zona Rural de Manaus
  • São José do Jatuarana, na margem esquerda do rio Amazonas, na costa do rio Jatuarana, um pouco abaixo do encontro das águas dos rios Negro e Solimões; fundado em 1880;
Cemitério São José do Jatuarana, na Zona Rural de Manaus
Cemitério São José do Jatuarana, na Zona Rural de Manaus, sofre com o fenômeno das terras caídas
  • Nossa Senhora do Carmo, na margem direita do rio Amazonas, nas costas do Paraná da Eva, próximo a comunidade Bom Sucesso; fundado em 1903;
Cemitério Nossa Senhora do Carmo, na Zona Rural de Manaus
Cemitério Nossa Senhora do Carmo, na Zona Rural de Manaus, atende comunidade localizadas nas margens do rio Amazonas
  • Nossa Senhora da Conceição das Lages, na margem esquerda do rio Negro, está situado na Ilha Visconde de Mauá, fundado em 1906.
Vista aérea do cemitério de Nossa Senhora da Conceição das Lages, em Manaus
Cemitério de Nossa Senhora da Conceição das Lages, em Manaus

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