quarta-feira, 23 de setembro de 2026

‘Lula precisa de grandes alianças para ganhar eleição’, diz Marcus Barros

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Medalhão do Partido dos Trabalhadores do Amazonas, candidato ao Senado em 1998 pelo partido, o doutor e pesquisador Marcos Barros é reconhecido como um dos pensadores da legenda e das esquerdas no Amazonas. No evento de lançamento do livro do ex-senador João Pedro, ‘Nossas Utopias’, o ‘Dr. Marcos Barros’ conversou com o RealTime1, avaliando as alianças do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e concordando com a estratégia de compor chapa com Geraldo Alckmin (PSB) para o Planalto.

“O Lula é um grande estrategista e, nos dias de hoje, ele não pode estar ligado somente ao plano ideológico de esquerda. Ele precisa fazer grandes alianças. Por isso foi chamar o ex-governador de São Paulo que tem uma base interiorana que Lula não tem”, disse Marcus Barros que reforça o fato de que Alckmin, além do apoio do interior paulista, é um nome já conhecido nacionalmente e que até já concorreu para a Presidência da República.

“O importante no momento é ganhar a eleição. Não adianta concorrer pra ficar no quarto lugar. Lula percebeu isso e se aliançou, mostrou que não é o “destruidor” e mostrou que pode aglutinar”, acrescentou, em referência às críticas dos opositores de Lula de que ele concorre para o Planalto com um viés mais radical e revanchista, após os processos na Justiça e a prisão dele que durou mais de 500 dias, devido a operação Lava Jata e à sentença do ex-juíz Sérgio Moro, anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

“Ele é o melhor presidente que esse país teve com quase 70% de aceitação. As pessoas não podem esquecer disso. Qual é o currículo de Lula como presidente da República? Foi o que criou mais de 30 universidades e deu acesso aos mais pobres. Olhou muito para o social o que outros não fizeram”, destacou.

Avaliando o cenário estadual, Marcus Barros afirma que a esquerda tem muito espaço a recuperar e lembra do pleito de 1998 quando perdeu a vaga do Senado para o ex-governador Gilberto Mestrinho, em uma polêmica reviravolta na contagem dos votos do interior.

“Aquilo me arrefeceu. A esquerda se arrefeceu e agora está voltando e precisa de estímulo. O presidente Jaír Bolsonaro (PL) não tem para onde ir. Quando ele se vê nas pesquisas com 25% e o Lula, com 41%, ele sabe que perdeu, que no segundo turno não ganha. Pena que não seja no primeiro”, afirmou.

Marcus Barros é doutor, pesquisador da Fundação de Medicina Tropical, ex-reitor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), entre outros cargos.

Texto: Emerson Medina

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