quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Horário Eleitoral Gratuito: bom para o candidato e ruim para o eleitor

COMPARTILHE

Desde o dia 26 de agosto, duas vezes por dia, números, nomes e siglas são apresentados para os espectadores de rádio e TV aberta. É a propaganda eleitoral que segue até o dia 29 deste mês.

Para um grupo de influenciadores de diversas áreas da sociedade ouvidos pelo RealTime1, o programa até ajuda a divulgar candidatos, mas precisa melhorar no debate das propostas.

Para o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Amazonas, Wilson Reis, a propaganda eleitoral ajuda o eleitor a guardar o nome e o número de seus candidatos para a sua “cola” no dia da eleição.

“Ao longo do tempo, o voto passou a ser decidido por outros critérios como amizade, relação de parentesco ou decidido em família”, diz o jornalista.

Ele ressalta que as propostas carecem de credibilidade junto ao eleitor em função do desgaste de alguns candidatos e partidos e que “há uma crítica generalizada aos políticos”, por “promessas assumidas em campanhas e não cumpridas durante o mandato”.

Para o doutor em Ciências Sociais, Marcelo Seráfico, o horário eleitoral é importante para ampliar a divulgação dos partidos políticos, de suas propostas e dos candidatos que as defendem, mas os critérios de distribuição do tempo tendem a favorecer partidos já bem estabelecidos.

“Além disso, é duvidoso que o aprisionamento das campanhas à linguagem publicitária – de qualidade técnica que vai de excelente à duvidosa – contribua para o debate público sobre projetos de País e de sociedade”, critica o doutor.

“As campanhas não vem sendo oportunidades para mostrar a relação entre políticas de alcance micro e macro, nem muito menos a importante e incontornável relação entre política e economia. Por isso, menos do que campanhas políticas, parecemos estar expostos a campanhas publicitárias de candidatos ao exercício de funções políticas eletivas”, diz.

Velhas fórmulas

O conteúdo apresentado na propaganda política desse ano trás de volta uma “velha fórmula” de apresentação de candidatos, após as eleições de 2018 quando a proposta da “nova política” se destacou. Essa é a avaliação do cientista político, Carlos Santiago.

“Voltou este ano a campanha que apresenta o candidato como uma boa pessoa, de boa família, bom gestor e que pode resolver todos os problemas do País”, afirma Santiago.

A diferença, segundo Carlos Santiago, é mais estética com programas e partidos que apostam mais no colorido por exemplo.

Por isso o cientista político orienta o eleitor para que, além da propaganda eleitoral, pesquisa sobre o histórico do candidato, a ideologia do seu partido, a real atribuição do cargo para que ele concorre e quem ou quais grupos de interesse financiam a campanha.

Medalhista olímpico do atletismo brasileiro, o velocista Sandro Viana (Bronze em Pequim 2008, no revezamento 4×100 metros) tem gostado de acompanhar a propaganda eleitoral na TV. E ele diz que até conseguiu identificar ideiais inovadoras de propostas para o esporte, meio que o acolheu e concedeu uma carreira profissional.

“A propaganda ajuda o eleitor a ter acesso ao trabalho e às propostas do candidato”, afirma o atleta.

Mas há também os casos de eleitores que preferem não dar audiência para a propaganda eleitoral, caso do pesquisador e diretor do Museu da Amazônia (Musa), Ennio Candotti.

“Não acompanho a propaganda, já escolhi meus candidatos. Vejo pouca televisão e prefiro escolher pelas suas ações passadas, entrevistas ou me informando com contatos pessoais”, informa.

Para o cientista, coerência, defesa dos direitos humanos e respeito às diferenças são qualidades decisivas na hora de fazer as escolhas para o voto.

Texto: Emerson Medina

COMPARTILHE