Anunciado pelo Governo Federal para garantir reajuste do funcionalismo, os cortes nos recursos do ensino superior tiram R$ 25 milhões do Amazonas, sendo R$ 15 milhões da Universidade do Amazonas (Ufam) e R$ 10 milhões do Instituto Federal do Amazonas (Ifam). Os valores foram apresentados pelo deputado federal Zé Ricardo (PT) na Câmara dos Deputados, na última terça-feira (31).
Em todo o País, segundo o parlamentar, os cortes no ensino federal foram de R$ 1 bilhão, sendo R$ 350 milhões das escolas técnicas federais, contabilizando um bloqueio de 14,5% das verbas destinadas ao custeio.
“Manifesto-me indignado em relação aos novos cortes de recursos na área da Educação por parte do Governo Federal (…)Nossa solidariedade a todas essas instituições que estão sofrendo cortes e bloqueios”, disse Zé Ricardo.
De acordo com o deputado, os valores foram confirmados por gestores dos institutos federais que estão em Brasília tentando desbloquear os recursos.
Quem também está em Brasília desde a última segunda-feira (30) é o reitor da Ufam, Sylvio Pulga e a vice-reitora, Thereza Fraxe, em articulação com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que mantém conversas com o Ministério da Economia. O reitor adiantou ao RealTime1 que a entidade busca audiência com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP).
“Estamos focados a desbloquear os R$ 15 milhões da Ufam”, disse Sylvio Pulga.
Por parte do Ifam, o reitor Jaime Cavalcante Alves emitiu, na manhã desta terça, uma nota onde afirma que o bloqueio implica que a instituição suspenda ações de pesquisa de extensão que contribuem “para promover a Educação e sustentabilidade da Amazônia”.
A nota destaca, ainda, que os cortes ocorrem no momento em que o instituto está em expansão. De oito unidades da época de sua criação em 2008, o Ifam agora conta com 22 unidades com 2 mil servidores, que atendem mais de 26 mil alunos. “Os bloqueios comprometem o planejamento do Instituto que terá que fazer uma reegenharia dos seus gastos”, informa a nota.
O que diz a associação dos institutos federais
No dia 28, a Andifes escreveu uma extensa nota onde repudia os cortes e exige a recomposição dos recursos da Educação. A entidade ressalta que a alegação de reajuste de 5% do salário do funcionalismo federal não se justifica como motivação para o bloqueio.
“O conjunto das universidades federais brasileiras, por meio da Andifes, conclama todos e todas que nutram a esperança de um país que efetivamente se preocupe com as gerações futuras, com seus estudantes (sobretudo aqueles com maior vulnerabilidade) e com o desenvolvimento econômico, científico e tecnológico do País, para que se mobilizem para exigir a recomposição dos orçamentos das universidades federais e da ciência brasileira”, destaca o manifesto.
Texto: Emerson Medina