O cientista Lucas Ferrante, doutorando do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), desenhou, na manhã desta terça-feira (9) um quadro assustador para a pandemia do novo coronavírus para os próximos meses em Manaus.
Em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Ferrante defendeu a adoção de lockdown extensivo de 20 a 30 dias, com restrição de pelo menos 90% de circulação de pessoas, e vacinação extensiva, que cubra ao menos 70% da população, por mais três meses em Manaus.
As medidas sugeridas têm o objetivo de evitar uma terceira onda da Covid-19 no Estado. De acordo com o estudioso, a nova variante do coronavírus, P1, identificada no Amazonas se tornará predominante no Estado.
Por ser duas vezes mais transmissível e mais virulenta que a cepa anterior, a circulação da P1, poderá ser responsável por uma terceira onda da doença, já no próximo mês.
“Prevemos que deve ocorrer uma terceira onda a partir de março, onde o distanciamento desta terceira onda vai depender da quantidade de isolamento social que é empregada no estado do Amazonas agora”, alertou.
Ele acrescenta ainda que os pacientes que foram diagnosticados com a variante anterior do coronavírus não apresentam imunidade contra a P1.
Cepas mais resistentes
Além de diminuir os casos de contaminações e mortes, o cientista afirma que o lockdown total é importante para evitar que novas mutações, produzam cepas, além de mais contagiosas, resistentes às vacinas atualmente disponíveis, o que tornaria Manaus o epicentro mundial da nova onda.
“Temos que lembrar que essa nova variante surgiu em poucos meses, em menos de um ano, acumulando mutações suficientes para ser distinta da linhagem anterior. Agora, essa nova linhagem, sendo duas vezes mais transmissível, se não contermos a pandemia no curto tempo, será suficiente para que surjam novas mutações e podemos ter variações inclusive resistentes às vacinas de mercado. Isso precisa ser contido imediatamente”, defendeu.
“É absurdo pensar em flexibilização agora. Não é porque as taxas de transmissão estão em queda que vamos abrir. No momento que se abre, existe uma retomada nas contaminações. Isso é absurdo”, recomendou Ferrante, destacando que a linhagem mais transmissível já se torna predominante em Manaus.
Reportagem: Lucas Raposo