terça-feira, 22 de setembro de 2026

Tokenização do açaí cria novo modelo de renda para famílias produtoras da Amazônia legal

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Embalagem de açaí puro da Tribo Superfoods sobre frutos de açaí recém-colhidos no Pará
Produto da Tribo Superfoods utilizado na primeira operação de tokenização do açaí, realizada em Igarapé-Miri, no Pará

As startups Tribo Superfoods e ForestiFi concluíram, em Igarapé-Miri (PA), a primeira operação de tokenização do açaí no Brasil.

A emissão privada captou R$ 200 mil por meio da venda de 8 mil tokens a investidores qualificados, com recursos destinados ao fortalecimento da cadeia produtiva local e à melhoria da remuneração dos produtores.

Símbolo da Amazônia e produto consolidado no mercado global de superalimentos, o açaí ocupa posição estratégica na bioeconomia brasileira.

No Pará, principal produtor do fruto no país, mais de 150 mil famílias dependem diretamente da atividade para geração de renda.

Reconhecido pelo valor nutricional e pela aceitação internacional, o açaí passa agora a integrar um novo modelo de financiamento baseado em tecnologia blockchain.

A operação foi estruturada pelas startups Tribo Superfoods e ForestiFi, ambas apoiadas pela Amaz Aceleradora de Impacto. Realizada em Igarapé-Miri, município considerado um dos principais polos de produção de açaí do país, a iniciativa resultou na captação privada de R$ 200 mil, com os recursos direcionados à cadeia produtiva local, conectando produtores, indústria e mercado.

A tokenização permite transformar um ativo real — como a safra de açaí — em ativos digitais. Cada token representa uma fração econômica da produção, possibilitando que investidores aportem recursos com retorno vinculado ao desempenho efetivo da atividade.

Rastreabilidade e transparência

O modelo também amplia a rastreabilidade e a transparência, permitindo o acompanhamento da cadeia desde a origem até o consumidor final.

Segundo Maurício Pantoja, cofundador da Tribo Superfoods, a iniciativa enfrenta um problema recorrente do setor: a baixa remuneração dos pequenos produtores.

Para ele, apesar da alta demanda, o açaí ainda é tratado como commodity, o que reduz a participação de quem atua na base da produção.

“Existe disposição do consumidor em pagar mais por qualidade e procedência. A tokenização permite que esse valor seja distribuído de forma mais equilibrada, beneficiando quem produz e preserva a floresta”, afirmou.

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A Tribo Superfoods atua na produção de polpa pura de açaí, sem aditivos, comercializada no mercado interno e para exportação.

A ForestiFi foi responsável pela estruturação financeira e pela emissão dos tokens. De acordo com Macaulay Abreu, cofundador da plataforma, a operação também funciona como um projeto-piloto para testar um modelo de investimento escalável voltado às cadeias da sociobioeconomia amazônica.

Ganhos da tokenização

Além do financiamento, a tokenização trouxe ganhos operacionais diretos. Conforme Macaulay, o modelo permite antecipação de capital e pagamento imediato às cooperativas.

“Antes, os repasses levavam dias. Agora, conseguimos pagar no mesmo dia, o que melhora o fluxo financeiro dos produtores e dá mais agilidade ao operador”, explicou.

Para os produtores de Igarapé-Miri, a iniciativa representa um avanço em uma cadeia que sustenta milhares de famílias. Integrante da cooperativa Caepim, Leubaldo Costa destaca que o açaí é base alimentar e principal motor econômico do município.

Segundo ele, o fruto foi determinante para atravessar períodos de dificuldade e segue como principal meio de subsistência local.

Leubaldo afirma que a parceria com a Tribo Superfoods contribuiu para elevar a qualidade do produto e incorporar conhecimento técnico, sem romper com práticas tradicionais de preservação ambiental.

“Já produzimos com respeito à floresta. A inovação chega para fortalecer o que fazemos e abrir caminhos para uma renda mais justa”, disse.

As duas startups integram o portfólio da Amaz Aceleradora de Impacto, programa voltado ao fortalecimento de negócios da sociobioeconomia amazônica.

Para a gestora de operações da Amaz, Gabriela Souza, a cooperação entre os empreendimentos evidencia o papel do programa como articulador do ecossistema. Segundo ela, a construção de soluções conjuntas amplia a capacidade de inovação e fortalece modelos de negócio com impacto econômico e ambiental.

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