O mercado de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) no Brasil segue em forte crescimento e pode gerar entre 30 mil e 147 mil novos empregos formais até o final de 2025, segundo o Relatório de Perspectivas do Mercado de Trabalho do Macrossetor TIC, publicado pela Brasscom.
No entanto, o setor enfrenta um desafio crítico: a oferta de profissionais qualificados não atende à demanda, resultando em uma deficiência de 30% entre a necessidade do mercado e a quantidade de talentos formados.
Na Zona Franca de Manaus (ZFM), onde a indústria de TIC desempenha um papel estratégico, a carência de mão de obra qualificada reforça a necessidade de políticas de capacitação digital e incentivos para a formação de especialistas.
De acordo com a análise estatística do relatório, a previsão base estima um acréscimo de 88 mil novos empregos formais até dezembro de 2025. No cenário conservador, o número cai para 30 mil, enquanto no cenário otimista, pode chegar a 147 mil novas vagas.
Os segmentos de Serviços de TIC e Software lideram as projeções de crescimento, podendo gerar juntos 44,5 mil novos empregos no período analisado. Em contrapartida, o setor de hardware e componentes eletrônicos segue estagnado ou em leve declínio.
Entre os fatores que podem influenciar o ritmo de crescimento do setor, destacam-se:
- Investimentos em tecnologia;
- Qualificação de profissionais;
- Reoneração da folha de pagamento;
- Políticas públicas e tributárias (Reforma Tributária e PEC 6×1);
- Evolução da informalidade no setor de tecnologia.
Gap de talentos: a oferta ainda não supre a demanda
O relatório da Brasscom revelou um descasamento preocupante entre a demanda e a oferta de profissionais qualificados no setor de tecnologia. De 2019 a 2024, foram necessárias 665.403 novas contratações, mas apenas 464.569 profissionais foram formados entre 2018 e 2023, resultando em um déficit de 30,2%.
Em 2023, 105.706 alunos se formaram em cursos superiores e técnicos de TIC, mas esse número ainda não atende à necessidade do mercado. O estudo também aponta que o crescimento dos empregos informais (13%) e de MEIs e empresários individuais (18,2%) supera a criação de empregos formais (4,5%) no setor.
Além disso, a diversificação no setor ainda é um desafio. Apenas 17,9% dos formandos em cursos de TIC em 2023 eram mulheres, embora esse número tenha crescido 41,7% em relação a 2022.
TIC na Zona Franca de Manaus: impacto e desafios
Na Zona Franca de Manaus, o setor de TIC desempenha um papel estratégico, concentrando empresas especializadas na produção de componentes eletrônicos, montagem de dispositivos e serviços digitais. Entretanto, a falta de profissionais qualificados na região dificulta a expansão das empresas e a adoção de novas tecnologias.
Especialistas do setor destacam que o desenvolvimento da bioeconomia digital e o crescimento de startups ligadas à tecnologia na Amazônia podem ser um diferencial competitivo, desde que haja investimento em formação profissional e atração de talentos.
O Polo Industrial de Manaus, que abriga diversas empresas do segmento, pode ser beneficiado com políticas de capacitação tecnológica, além de incentivos para parcerias com universidades e instituições de pesquisa na região.
Perspectivas para o futuro
O mercado de TIC no Brasil segue em expansão, mas para atender à crescente demanda por profissionais qualificados, será necessário:
- Aumento da oferta de cursos técnicos e superiores em tecnologia;
- Programas de capacitação voltados para mulheres e grupos sub-representados;
- Maior alinhamento entre empresas e instituições de ensino para formação profissional direcionada;
- Incentivo à inovação em polos estratégicos, como a Zona Franca de Manaus.
Com um cenário de forte digitalização da economia e expansão das áreas de Inteligência Artificial, Cibersegurança e Computação em Nuvem, a formação de novos talentos será determinante para manter o Brasil competitivo no setor de tecnologia global.
Confira a íntegra o Relatório de Perspectivas do Mercado de Trabalho do Macrossetor TIC, publicado pela Brasscom:
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