quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Seminário sobre Povos Tradicionais lança nota de repúdio à Bolsonaro

Evento internacional criticou as violações pelo Governo Federal das garantias constitucionais dos povos indígenas, comunidades quilombolas e populações tradicionais.
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O IV Seminário Internacional sobre Povos Indígenas, Fronteiras e Geopolítica da América Latina: uma Proposta para a Amazônia encerrou, na última quinta-feira (17), com a leitura de uma nota pública de repúdio ao Governo Federal contra as violações das garantias constitucionais dos povos indígenas, comunidades quilombolas e populações tradicionais. O evento foi realizado virtualmente, com a participação de 19 instituições, 27 palestrantes, 775 pessoas inscritas.

O manifesto contra o governo Bolsonaro é da Rede do Seminário Internacional sobre Povos Tradicionais, Fronteiras e Geopolítica na América Latina, através de suas diferentes instituições e público participante, em sintonia com a organização do evento, o Laboratório de Estudos Panamazônicos, Prática de Pesquisa e Intervenção Social (LEPAPIS), do Departamento de Antropologia e do Programa de Antropologia Social (PPGAS), Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS), da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

Ressaltando nominalmente o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a nota cita os desmandos do Governo Federal, que “tem manejado as instituições para perseguir e destruir os princípios
democráticos do Estado de Direito, arduamente conquistados”. Também faz referência à destruição do meio ambiente, com o avanço do desmatamento na Amazônia; invasão e conflitos com garimpeiros em terras indígenas em diferentes Estados; grilagem de terras e desmonte dos órgãos fiscalizadores e controladores.

Como um dos temas debatidos durante o IV Seminário, a pandemia de Covid-19 também integra a nota, apontando “a incompetência e o descaso no enfrentamento e combate ao coronavírus, o que tem ampliado e gerado uma crise sanitária no país”. O professor José Exequiel Basini, coordenador do LEPAPIS, explicou que o manifesto refere-se à forma como os direitos diferenciados e conquistas sociais das populações tradicionais têm sido atingidos, produzindo violências, mortes e situações contínuas de vulnerabilidade sobre os estilos de vida de ditas sociedades.

“Entre outras coisas, a negação das territorialidades e territórios dos povos tradicionais promovida e potencializada pelo atual Governo Federal, a partir de empreendimentos de alto impacto e mediante o modelo econômico neoextrativo: os agronegócios, a mineração intrusiva em terras indígenas e outros modos econômicos predatórios”, assegurou Basini.

Ele lembrou ainda que debates realizados com lideranças indígenas durante o seminário esclareceram que os povos tradicionais não são contra o desenvolvimento do país, mas apoiam um
desenvolvimento que respeite os diferentes estilos de vida dos povos amazônicos. O manifesto termina com a ratificação do apoio e compromisso da Rede e assinantes à pauta e à luta
dos povos indígenas e das populações tradicionais, ‘contra a política genocida do Governo Federal’.

Leia na íntegra a nota de repúdio em:

Com informações da assessoria

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