terça-feira, 29 de setembro de 2026

Segundo semestre será agitado na política do Amazonas

A luta pela preservação dos benefícios da Zona Franca não acabou, apenas mudou de patamar neste semestre
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R$ 766 milhões de investimentos no Amazonas. (Foto/ Divulgação)

O segundo semestre de trabalho dos políticos do Amazonas envolverá muitas articulações visando a eleição municipal do próximo ano e desafios em Brasília para garantir a sobrevida da Zona Franca nos desdobramentos da Reforma Tributária.

No campo eleitoral, o semestre trará a primeira data limite em outubro, quando todos os que pretenderem disputar a eleição municipal deverão estar filiados a um partido político no Amazonas. Há dúvidas se os principais atores da eleição ficarão nos atuais partidos deles.

O prefeito David Almeida está no Avante, partido que com muitas dificuldades superou a cláusula de desempenho ao eleger sete deputados federais. Com isso, terá um dos menores tempos na propaganda gratuita de rádio e TV, além de um dos menores orçamentos dos Fundos Eleitoral e Partidário.

O PDT já sinalizou que deseja ter David Almeida em seus quadros no Amazonas, convite feito pelo presidente licenciado da sigla, o ministro da Previdência Carlos Luppi. David desconversa sobre eventuais mudanças partidárias neste semestre.

Outro ator importante na próxima eleição no Amazonas é o deputado federal Amon Mandel, que é do Cidadania, sigla que formou uma federação partidária com o PSDB na época em que os tucanos eram comandados pelo ex-prefeito Arthur Neto (sem partido).

Acontece que hoje o ninho tucano está sob o comando do senador Plínio Valério, que tem planos próprios para a eleição municipal do ano que vem, o que pode representar uma candidatura majoritária dele a sucessão de David.

Neste cenário, especula-se que Amon pode deixar o Cidadania e abrigar-se numa sigla ligada ao governador Wilson Lima (União Brasil), enquanto David Almeida se aproxima do senador Eduardo Braga (MDB).

Principal partido de oposição ao governo Lula, o PL do Amazonas abriga em suas linhas dois virtuais candidatos a prefeito no próximo ano: o deputado federal Alberto Neto e o ex-superintendente da Suframa Alfredo Menezes, que precisarão estar atentos às conversas neste semestre.

Ambos são bolsonaristas de raiz, mas só um vai vencer essa corrida para ser o representante da extrema direita na eleição de 2024 no Amazonas. Ao outro poderá sobrar uma troca de partido, que se for o caso de Menezes deve ser efetivada ainda neste semestre.

Os detentores de mandatos eletivos no Amazonas, que eventualmente precisem mudar de partido, têm uma nova oportunidade por volta de abril do próximo ano, quando se abrirá a janela partidária. Com este mecanismo, Amon, Plínio e Alberto Neto não precisarão se movimentar partidariamente neste semestre.

Semestre no Amazonas terá festa e orçamento

O prefeito David Almeida inicia o semestre com um olho na rua e outro na Câmara Municipal, onde deverá aprovar o principal Orçamento da gestão dele, o último deste mandato, em que precisará concentrar esforços no primeiro quadrimestre, pois a partir daí não pode mais entregar pessoalmente obras ou conceder reajustes salariais.

Nas ruas, a principal aposta está em fazer um grande festival “Sou Manaus, Passo a Paço”, que reunirá 12 atrações nacionais e ao menos 150 artistas de Manaus e do estado. Este “Sou Manaus” tem no orçamento deste ano cinco vezes mais recursos que o realizado no ano passado

O “Sou Manaus” acontecerá nos dias 5, 6 e 7 de setembro e, pela primeira vez, será descentralizado. Logo em seguida virá o Boi Manaus, que marcará o aniversário da capital amazonense.

A principal obra do ano deverá ser entregue até dezembro, o parque Gigantes da Floresta, que terá dois quilômetros de extensão e fica localizado entre os bairros Novo Aleixo e Tancredo Neves.

Já no Orçamento, a meta é concentrar gastos, como os recursos para a finalização de obras, como o complexo viário da feira do produtor, e conceder reajustes a uma parte dos servidores públicos.

Semestre agitado em Brasília

Conforme alertou, em entrevista ao canal RealTime1 Play, o ex-deputado Marcelo Ramos, a Reforma Tributária aprovada na Câmara Federal deixou uma série de decisões que impactam a Zona Franca de Manaus para a regulamentação em leis complementares.

“São mais de 40 itens que o texto aprovado remete para lei complementar, como o imposto seletivo”, lembra Marcelo Ramos.

Essa frente de trabalho da bancada terá antes um pit stop no Senado Federal, onde o texto aprovado no último dia 6 de julho precisará tramitar neste semestre. Há, inclusive, uma articulação para que o relator seja o senador Eduardo Braga (MDB), mas isso só será definido após o recesso.

Quando voltar do recesso, a bancada de deputados federais precisará se debruçar sobre a criação dos fundos de compensação para os estados que perderem receitas com a reforma tributária.

O deputado Sidney Leite, que trabalhou no grupo de trabalho que aprovou o texto que agora vai ao Senado, diz que os fundos de compensação e o desenvolvimento regional, que podem ter juntos R$ 40 bilhões, estão mais ou menos pactuados, mas o fundo da sustentabilidade, negociado por último ainda precisará ser cuidado com atenção pela bancada.

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