quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Rodoviários anunciam greve por aumento salarial a partir do dia 17

Greve dos ônibus será deflagrada caso as empresas não respondam sobre o dissídio; prefeito não descarta reajuste da tarifa.
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Greve foi aprovada em assembleias nesta quinta-feira (reprodução)

Os trabalhadores do sistema de transporte urbano coletivo de Manaus decidiram entrar em greve, a partir da próxima quarta-feira (17), caso as empresas do setor não respondam sobre os reajustes salariais da categoria até terça-feira (16).

A decisão foi tomada nesta quinta-feira (11), durante assembleia do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM).

O presidente da entidade, Givancir Oliveira, disse que os trabalhadores tentaram resolver a situação de forma harmoniosa. “Mas não tivemos sucesso, agora não tem mais jeito, a assembleia foi feita e os trabalhadores estão decididos em parar e buscar o que é seu por direito”.

“No mês de abril, nós notificamos todos os órgãos competentes sobre o dissídio coletivo da nossa categoria, mas nenhuma resposta foi dada. A greve é nosso último recurso, não é o que queremos, mas, se não tiver outra alternativa, os trabalhadores decidiram parar o transporte coletivo na próxima quarta-feira, dia 17”, disse.

Os motoristas e cobradores pedem reajuste salarial de 12% a partir do próximo mês de junho, além de aumento no valor do vale-alimentação.

Em abril, as empresas fizeram uma contraproposta de reajuste com base inflação acumulada nos últimos 12 meses, 4,16%. Os trabalhadores não aceitaram.

Impacto na tarifa

O sindicato que representa as empresas (Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Amazonas – Sinetram) afirma que para bancar o aumento salarial será preciso reajustar a tarifa para o consumidor, congelada há mais de seis anos em R$ 3,80. O Sinetram defende que o gasto extra seja bancado pelos consumidores.

“O Sinetram entende que não há como somente o Poder Público bancar todos os aumentos de custos eternamente”, destacou em nota [veja na íntegra no fim da matéria].

Por sua vez, o prefeito David Almeida (Avante), que banca parte dos custos do sistema com um subsídio anual milionário, tem repetido que a questão do dissídio é um problema entre “patrão e empregado”.

Em entrevista coletiva, nesta sexta-feira (12), David não descartou um aumento no preço da passagem de ônibus. O prefeito destacou que todas as capitais fizeram reajustes nos últimos anos, período em que a inflação acumulada passa de 60%.

David disse que o custo real da passagem, caso não tivesse o subsídio, chegaria a R$ 7,53 para os usuários.

Nota do Sinetram

Nota à Imprensa

O Sinetram informa que, desde que foi solicitado o aumento dos salários dos trabalhadores pertencentes ao Sindicato dos Rodoviários de Manaus, vem conversando com a classe e com o Prefeito de Manaus, Davi Almeida, para encontrar uma solução que impacte o mínimo possível o custo do Sistema de Transporte Coletivo da cidade, que é custeado parte pela tarifa paga pelos usuários e pelo Poder Público, através do complemento desse custo, via subsídio complementar – Diferença entre o custo incorrido e receita direta recebida dos usuários.

Desde 01 de março de 2017, o preço da tarifa está congelado no valor de R$3,80.

Como dito, é importante ressaltar que, apesar da tarifa estar congelada há mais de seis anos, e de ser uma das mais baratas entre as capitais do país, todos os custos que são envolvidos para funcionar um sistema que inclui quase 1.200 ônibus operantes, vem crescendo nesse interregno de tempo e isso inclui também o aumento de salário dos motoristas que evoluiu quase 44% de 2017 até 2023.

O preço do combustível, nesse tempo, também teve aumento de quase 92%, além de todos os outros reajustes dos demais insumos como pneus, peças, aquisição de frota e investimentos em tecnologias para bilhetagem, que somam quase 79% de aumento.

O custo dos serviços prestados tem sido complementado pelos subsídios pagos pelo Poder Público, subsidiando os usuários do sistema, pagando todas as gratuidades e descontos aos estudantes pagantes, tudo bancado pelo conjunto da sociedade, de acordo com as normas federais e normas municipais editadas e aprovadas para esse fim.

Mas, o Sinetram entende que não há como somente o Poder Público bancar todos os aumentos de custos eternamente.

Todos os preços públicos e privados tiveram aumento nestes seis anos, inclusive os salários de todas as categorias.

Dessa forma, o sindicato entende que o acréscimo de novos custos ao valor dos serviços prestados tem que ser dividido também com os usuários que utilizam o serviço cotidianamente.

Por isso, entende o Sinetram, que um reajuste da tarifa para ajudar a bancar o custo dos serviços prestados, e é imprescindível neste momento.

O equilíbrio econômico e financeiro dos contratos é direito fundamental e necessário para que o sistema continue funcionando de forma plena, adequada e de boa qualidade à população e assim, também garanta os investimentos previstos e necessários para a melhora contínua desse importante serviço à sociedade.

Nesse sentido, inclui-se também a contrapartida do usuário com o pagamento de uma tarifa justa, módica e razoável pelo serviço prestado e por ele utilizado.

O Sinetram já realizou e entregou todos os seus estudos de impacto de aumento de custo com suas sugestões do aumento da tarifa hoje praticada – que é a menor do país em relação às cidades com mais de um milhão e duzentos mil habitantes – como também é a única cidade do Brasil com esse porte que não teve aumento nos últimos seis anos.

O sindicato espera que o IMMU, através do seu corpo técnico e seu Diretor-Presidente, realize também seus estudos e levantamentos técnicos, por ser o órgão gestor e operacional do sistema, e leve os resultados desses estudos com o nosso pleito ao Senhor Prefeito, Davi Almeida, com o qual o presidente do Sinetram já conversou, e assim aguarda uma solução que seja sustentável para todas as partes envolvidas neste processo.

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