quinta-feira, 1 de outubro de 2026

“Quebra-pedra” pode combater a doença de Chagas e leishmaniose

A doença de Chagas e a leishmaniose atingem principalmente populações de baixa renda em países subdesenvolvidos e são responsáveis, anualmente, por alta taxa de mortalidade.
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Planta é tema de estudo
No estudo, os pesquisadores verificaram além da atividade antiprotozoária e a citotoxicidade das substâncias

Pesquisadores obtiveram o primeiro relato sobre a atividade antichagásica e leishmanicida de substâncias extraídas das folhas de uma planta conhecida popularmente como quebra-pedra.

Testes (in vitro) demonstraram que as lignanas, classe de metabólitos secundários majoritários da espécie, apresentam ação antiprotozoária importante contra os parasitas causadores da doença de Chagas e da leishmaniose cutânea.

Fapeam

Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), um grupo de pesquisadores isolou e elucidou quimicamente 12 lignanas bioativas presentes nas folhas da quebra-pedra.

Além disso, identificou diferentes substâncias pertencentes às classes de flavonóides, polifenóis, triterpenos e esteroides.

Classes que apresentam propriedades antitumorais, antioxidantes e antiinflamatórias já comprovadas em diferentes estudos científicos.

Antiprotozoária

Nos ensaios, as lignanas apresentaram atividade antiprotozoária promissora frente aos agentes etiológicos, Trypanossoma cruzi e Leishmania amazonensis responsáveis, respectivamente, pela doença de Chagas e leishmaniose cutânea.

As substâncias demonstraram baixa citotoxicidade sobre as células hospedeiras, um achado importante, visto que um dos entraves enfrentados na quimioterapia das duas doenças se refere à alta toxicidade apresentada pelos medicamentos utilizados no tratamento preconizado dessas enfermidades.

Estudo em parceria com a Unicamp

O projeto “Prospecção e identificação de compostos isolados de Phyllanthus amarus Schum and Thonn com potencial atividade leishmanicida” foi realizado por um grupo de pesquisadores de Manaus (AM) e Campinas (SP) e concluído em quatro anos e meio. O estudo foi desenvolvido na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp-SP).

Alternativa

Diferentes estudos científicos já comprovaram as propriedades farmacológicas da quebra-pedra.

A planta é amplamente utilizada na medicina popular e esta denominação relaciona-se diretamente ao seu uso tradicional em combater pedras nos rins.

A pesquisadora do projeto e doutora em Ciências, na área de concentração em Fármacos, Medicamentos e Insumos para Saúde, Gabrielly Conrado, explica que produtos naturais e seus derivados são alvos de muitos estudos e podem oferecer protótipos de compostos capazes de combater diversas doenças.

A quebra-pedra, por exemplo, é amplamente utilizada em diferentes lugares do mundo devido ao seu potencial farmacológico e pode também ser potencialmente ativa contra estes dois protozoários.

Baixa renda

A doença de Chagas e a leishmaniose atingem principalmente populações de baixa renda em países tropicais subdesenvolvidos e são responsáveis, anualmente, pela alta taxa de mortalidade por causa de complicações terapêuticas.

Considerando o cenário atual utilizado na terapia antichagásica e leishmanicida, a pesquisadora destaca que continua sendo de extrema importância a busca por medicamentos mais eficazes e mais seguros para a população.

A investigação da atividade antiprotozoária das lignanas, presente na quebra-pedra, é pioneira e são necessários estudos complementares destes metabólitos, considerados promissores candidatos para o desenvolvimento de novos agentes antiprotozoários. 

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