quarta-feira, 23 de setembro de 2026
ESTRATÉGIA

PT reduz número de candidatos a prefeitos nas eleições deste ano

A mudança de estratégia ocorre após um resultado pífio há quatro anos, quando o partido concorreu em 21 capitais, mas não conquistou nenhuma
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(Foto: Arquivo/PT)

O PT planeja disputar a prefeitura de apenas 16 capitais nas eleições de 2024, o menor número dos últimos 32 anos. A mudança de estratégia ocorre após um resultado pífio há quatro anos, quando o partido concorreu em 21 capitais, mas não conquistou nenhuma.

Entre as capitais em que o PT abrirá mão de aparecer como cabeça de chapa nas urnas estão três dos quatro maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Na capital paulista, será a primeira vez que o PT não terá um nome desde sua fundação, na década de 1980.

No Nordeste, onde o partido de Lula costuma ter uma base de apoio forte, também haverá redução. Em 2020, o partido só não disputou a prefeitura de São Luís. Agora, estará fora em Salvador, onde deve apoiar a candidatura de Geraldo Junior (MDB), além da capital maranhense e de Recife, cidades nas quais estará na chapa de nomes do PSB. Por outro lado, deve lançar nomes em Maceió e Natal, e ainda discute qual será o candidato em João Pessoa e Fortaleza.

A decisão de abrir mão de candidaturas, porém, enfrenta resistências. Em São Paulo, por exemplo, o apoio à candidatura do deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP), ainda que não seja ideologicamente distante do PT, sofreu rejeição do diretório municipal.

Lula tem feito movimentos a favor de aliados em outras capitais. No início do mês, o presidente se reuniu com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, presidente do PSD em Mato Grosso. Depois da conversa, Fávaro confirmou que o PSD desistiu de ter candidato em Cuiabá e vai indicar a vice do candidato do PT, cujo nome não foi definido.

Em Salvador, há o consenso de que o PT embarcará na candidatura do emedebista Geraldo Junior, vice do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e ligado ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB). No Rio, uma ala do PT apoia a candidatura do deputado Tarcísio Motta (PSOL-RJ) contra Eduardo Paes. Ainda assim, a maior parte planeja embarcar com Paes.

Análise

A decisão do PT de reduzir o número de candidatos a prefeitos nas capitais é uma mudança de estratégia após um resultado pífio nas eleições de 2020. O partido não conquistou nenhuma das 21 capitais em que disputou, o que levou a uma avaliação interna de que era necessário concentrar esforços em cidades onde há mais chances de vitória.

A estratégia também reflete a preocupação do PT em dialogar com partidos que fazem parte da aliança com o governo federal. Em algumas capitais, o partido terá que apoiar candidatos de siglas aliadas, o que pode gerar conflitos internos.

No caso de São Paulo, o apoio à candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) é uma aposta do PT em um candidato de esquerda que possa atrair votos de eleitores que estão descontentes com o governo Bolsonaro. No entanto, a decisão enfrenta resistências dentro do partido, que prefere lançar um candidato próprio.

Em Salvador, o PT deve apoiar a candidatura de Geraldo Junior (MDB), vice do governador Jerônimo Rodrigues (PT). A decisão é uma tentativa de fortalecer a base aliada do governo estadual.

No Rio, o PT deve apoiar a candidatura de Eduardo Paes (PSD), que já foi prefeito da cidade. A decisão é uma aposta do partido em um candidato que tem chances de vencer a eleição.

A estratégia do PT nas eleições de 2024 será acompanhada de perto para avaliar se a mudança de foco terá o efeito desejado.

PT nas eleições de Manaus

Na capital do Amazonas há uma enorme insatisfação interna das lideranças com o deputado Sinésio Campos, presidente estadual da sigla. Eles dizem que o parlamentar atua para procrastinar a definição do nome do partido para o pleito deste ano.

Nos bastidores dizem que Sinésio quer ajudar outros nomes, de fora da legenda, fragilizando o partido que nunca obteve sucesso na capital.

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