A trajetória intelectual de Mário Ypiranga Monteiro e Moacir Andrade é tema de um documentário realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). A iniciativa faz parte do Programa Humanitas CT&I – Edital nº 005/2022.
Coordenado pelo doutor em Antropologia Sérgio Ivan Gil Braga, o projeto analisou documentos, cartas, obras de arte, artigos, livros e cadernos de campo dos dois intelectuais amazonenses.
O estudo gerou um documentário de seis minutos, disponível no YouTube, um livro com o mesmo título e uma coletânea de textos que será publicada em breve.
Segundo Sérgio Ivan Gil Braga, o trabalho identificou abordagens etnográficas distintas entre os dois autores. “Com muita satisfação, encontramos em Mário e Moacir, uma antropologia baseada em um conhecimento prático, consubstanciada nas próprias vivências desses autores e nas etnografias que produziram em suas bibliografias”, afirmou o pesquisador.
O apoio da Fapeam foi destacado como essencial para a execução do projeto.
“Reconhecemos que o apoio da Fapeam foi inestimável para a realização desta pesquisa, pois contamos com financiamento para aquisição de equipamentos e custeio para divulgação de resultados da pesquisa, através da produção de um vídeo documentário e publicação de livros. Sem a Fapeam não teríamos condições de realizar esta pesquisa”, acrescentou Braga.
Nos materiais de Mário Ypiranga, foram identificadas referências à antropologia cultural de Franz Boas, Ruth Benedict e Bronislaw Malinowski.
O autor também demonstrava atenção a princípios éticos, como o anonimato de interlocutores e respeito às contribuições voluntárias nas investigações.
Já Moacir Andrade utilizava memórias e experiências pessoais, especialmente da infância e adolescência, para compor suas narrativas.
Seu método foi comparado à figura do “flâneur”, de Walter Benjamin, ao observar aspectos da cidade e do interior do estado a partir do deslocamento livre e atento às sutilezas do cotidiano.
O grupo de pesquisa pretende ampliar os estudos, incluindo autores como João Barbosa Rodrigues e Manuel Nunes Pereira.
O Programa Humanitas CT&I, que viabilizou o projeto, é voltado ao fomento de pesquisas nas áreas de humanidades e linguística com foco em temas amazônicos.
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