As despesas com benefícios previdenciários em 2025 estão projetadas para ultrapassar R$ 1 trilhão, com estimativas entre R$ 1,007 trilhão e R$ 1,030 trilhão, dependendo das revisões orçamentárias.
Esse montante, no entanto, não considera o chamado “déficit previdenciário”, que ocorre quando os gastos efetivos superam as projeções iniciais feitas pelo governo.
Para exemplificar, em 2023, o déficit da Previdência Social atingiu R$ 428,2 bilhões, o equivalente a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.
Em 2025, o teto dos benefícios pagos pelo INSS foi reajustado para R$ 8.157,41, representando um aumento de 4,77% baseado no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Já o piso dos benefícios acompanhou o reajuste do salário mínimo, subindo para R$ 1.518.
Entretanto, o sistema previdenciário enfrenta desafios estruturais significativos, como o envelhecimento acelerado da população e a alta informalidade no mercado de trabalho, fatores que afetam diretamente a arrecadação e comprometem a capacidade de sustentar os pagamentos futuros.
Principais desafios
Para a advogada previdenciária Carla Seixas e a especialista em previdência Larissa Leite as mudanças na legislação nos últimos anos, não trouxeram os resultados esperados, no entanto elas não acreditam num colapso.
“Não se pode dizer que a previdência vai colapsar, mas é evidente que o sistema enfrenta desafios significativos. As recentes reformas, como a de 2019, foram implementadas sob o argumento de combater o déficit, mas acabaram ampliando as dificuldades para o acesso à aposentadoria e outros benefícios. Além disso, essas reformas geraram um aumento da judicialização, especialmente em relação a regras de transição e revisões de benefício.“
Já o economista Ricardo Amorim diz que essa conta não fecha e chama a Previdência de “bomba relógio”.
“Entre 1997 e 2023, o número de idosos no Brasil cresceu 264%, resultando em maior número de beneficiários e maior pressão sobre os recursos previdenciários. Os gastos com aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) já consomem 56% do orçamento não financeiro da União, contra 22% em 1997. E daqui a 25 anos, o número de idosos será mais do que o dobro, e os gastos previdenciários continuarão pressionando o déficit público.”
“Só para ter uma ideia, nesse ano o governo estimava gastar 885 bilhões de reais com previdência. Só que ele vai gastar mais de 940 bilhões de reais. Esses 55 bilhões de reais a mais explicam parte da piora do déficit público nesse ano”, alertou o Economista.
A baixa formalização dificulta a ampliação da base de contribuintes, agravando o déficit.
Diferenças econômicas entre regiões afetam a capacidade de contribuição ao sistema previdenciário.
Sem mudanças estruturais, o déficit pode comprometer não apenas a previdência, mas também investimentos em saúde, educação e infraestrutura.
A adoção de novas tecnologias e a fiscalização mais eficiente também são vistas como ferramentas fundamentais para aumentar a arrecadação.
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