A Coleta Seletiva da Prefeitura de Manaus foi interrompida, em março, devido a pandemia da Covid-19. Mas até agora não tem previsão de retorno. Apenas a modalidade de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) está funcionando, porém em poucos pontos da cidade.
A coleta é gerenciada pela Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp). Conforme dados disponíveis no site do órgão, o serviço atende a mais de 122 conjuntos e condomínios.
O projeto funciona nas modalidades porta a porta, PEVs e Coleta Agendada. No entanto, apenas os PEVs dos supermercados Roma, Adrianópolis, e Pátio Gourmet, no conjunto Morada do Sol estão funcionando.
Isto significa que as pessoas, antes atendidas pela coleta porta-a-porta e coleta agendada, precisam se deslocar até um desses dos pontos disponíveis, para entregar o lixo que pode ser reciclado.
Uma das pessoas prejudicadas com essa paralisação é a professora Célia Lopes. De acordo com ela, o serviço prejudica quem tem a consciência de cuidar do meio ambiente, assim como as cooperativas que se beneficiam com essa coleta.
“Aqui não está funcionando há meses. Quando precisamos deixar os lixos separados, entregamos em um supermercado no bairro Flores”, comentou Célia, que reside no bairro Dom Pedro.
Segundo a jornalista Cinthia Guimarães, que mora no bairro Nossa Senhora das Graças, o caminhão que recolhia semanalmente deixou de atender o local.
Conforme ela, “o caminhão passava entre 10h e 11h da manhã, toda quarta-feira. Fiz contato e eles disseram que pararam por causa da pandemia. Agora, estou indo entregar em um supermercado, no bairro Adrianópolis”, disse.
O que a Semulsp diz
Procurada pelo RealTime1, a Semulsp afirmou que as pessoas que desejam reciclar, podem entregar as suas embalagens nos sete galpões dos catadores mantidos pela prefeitura, na cidade, ou nos PEVs.
A Coleta Seletiva porta a porta não tem previsão para retornar. Já a coleta agendada está sendo negociada com fabricantes de produtos volumosos e deve retornar em breve. Mas não definiu uma data.
Cooperativa afetada
À reportagem do RealTime1, a secretária administrativa da Cooperativa Aliança, Alcineia Cunha, informou que “se dependesse da prefeitura, os trabalhadores das cooperativas tinham morrido de fome”.
Ainda de acordo com Alcineia, após a interrupção das coletas pela Semulsp, os funcionários estão sobrevivendo com a ajuda das próprias cooperativas e doações de órgãos independentes.
Alcineia informou que a prefeitura chegou a fornecer um auxílio de R$ 600, dividido em duas parcelas de R$ 300, uma cesta básica e duas garrafas de água sanitária aos funcionários. Porém, hoje eles estão funcionando sem nenhum apoio.
Antes da pandemia, eles recebiam 28.200 toneladas de materiais para reciclar, que ajudava a pagar o salário de 53 pessoas.
Arthur no Conselho da Amazônia
Vale relembrar que em junho deste ano, o prefeito Arthur Virgílio Neto (PSDB), enviou uma carta ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), solicitando a inclusão de seu nome para participar das próximas reuniões ordinárias do Conselho Nacional da Amazônia Legal.
Ele defende, ativamente, em suas redes sociais ser a favor do meio ambiente. Inclusive, solicitou à ativista climática Greta Thunberg ajuda para que ela usasse sua influência a fim de ajudar a combater o coronavírus na região.
Neto enfatizou que “nós precisamos salvar as vidas dos protetores da floresta Amazônica contra a COVID-19”. A preocupação, no entanto, com a Coleta Seletiva que colabora para a reciclagem e não contaminação do meio ambiente, em Manaus, ainda não tem data para voltar a funcionar.