Na manhã desta sexta-feira (19), a Prefeitura de Manaus deu início aos trabalhados de limpeza e retirada dos entulhos de um prédio localizado rua Henrique Martins, Centro da cidade, que desabou na noite de ontem (18). A edificação encontrava-se ao lado de uma cratera que abriu ano passado, tanto que em julho de 2020, foram demolidos dois prédios na área que corriam risco de desabar.
O prédio que desabou já estava interditado para que fossem realizadas obras nas galerias e não contava com a presença de operários no momento do incidente. A necessidade do reparo nos canais é antiga e segue sendo passada de um gestor para outro.
O chefe da divisão distrital do Centro Histórico, Efrain Costa, disse ao RealTime1 que as fortes chuvas registradas nos últimos dias contribuíram para a erosão do solo, o que provocou o incidente.
Efrain explicou que a Prefeitura iniciou, há cerca de um mês, a Prefeitura deu início aos trabalhos de recuperação das galerias, culpando a cheia histórica do Rio Negro deste ano como um fator para o atraso de tais serviços durante a gestão atual.
”Vamos mudar a concepção de execução da obra porque a galeria não está completamente obstruída. Está em funcionamento. Então, a gente está fazendo a limpeza para mudar a concepção”, contou Efrain.
A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), que também estava com servidores no local, informou ao RealTime1 que não há previsão para desobstruir o canal da galeria.
Defesa Civil de Manaus garante que demais prédios não correm riscos
O chefe da divisão operacional da Defesa Civil Municipal, José Mendes, afirma que os prédios que ficam ao lado do edifício que desabou não correm risco de passar pela mesma situação.
”Está tudo em perfeitas condições. Não corre risco de desabar”, garantiu José.
No entanto, Camylla Santos, gerente de uma das lojas vizinhas ao prédio que desabou, a Show dos Calçados, discorda do chefe da Defesa Civil.
Prejuízos e falsas promessas
Camylla diz que, por conta da proximidade com a cratera, a direção da empresa decidiu não utilizar mais o subsolo como estoque desde o final do ano passado por medo de um possível desabamento.
”A gente está correndo risco de interditarem a loja. Temos funcionários para manter”, preocupa-se a gerente.

Além de haver a possibilidade do não-funcionamento, as mercadorias da sapataria ficaram comprometidas. O incidente ocorrido ontem, para Camylla, também pode ‘espantar’ os clientes daquela área no período natalino.
A gerente da loja reclama do descaso do poder público, frisando que o problema já se arrasta há anos.
”Na primeira chuva, lá em novembro do ano passado, prometeram para gente que resolveriam. Por causa do período chuvoso, jogaram [o início das obras] para o início de janeiro deste ano, depois para maio (…) A obra fez um ano. Foi só promessa! Até agora não resolveram e, infelizmente, mais uma vez a gente volta a passar pela mesma situação e também pelas mesmas promessas”, criticou Camylla.

Texto: João Luiz Onety
Leia Mais: