quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Povos da Amazônia apresentam declaração histórica para a COP30: 'A resposta somos nós'

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Ato em frente ao Hangar Centro de Convenções da Amazônia, um dos locais da COP 30 Imagem: Daleth Oliveira/Divulgação

Na manhã desta terça-feira (23/07), lideranças da Amazônia se reuniram em Belém para apresentar a “Declaração do Mutirão dos Povos da Amazônia para a COP30: a resposta somos nós”.

O texto foi assinado por diversas entidades vinculadas aos povos tradicionais da região, como a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) e a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).

O documento foi apresentado com a imagem simbólica de um globo sujo de petróleo, derretendo pelas mudanças climáticas, e carregava mensagens como “O clima não espera, é hora de agir”, “A resposta somos nós”, “Delimite” e “Floresta em pé, petróleo e gás no chão”, simbolizando a urgência ambiental.

É preciso ter unidade na luta. Nós temos muitas autoridades climáticas dentro dos territórios que sabem fazer o enfrentamento à crise do clima. Se as autoridades e líderes mundiais não sabem o que fazer, nós, lideranças indígenas, comunidades tradicionais e movimentos sociais já temos a resposta, a resposta somos nós, nossos modos de vida e nossos territórios íntegros. É por isso que estamos nos unindo nesse grande processo de mobilização permanente e reafirmando nossa luta pela vida“, afirma Sila Mesquita Apurinã, coordenadora-geral da Rede GTA (Grupo de Trabalho Amazônico), entidade que também assina a declaração.

O protagonismo que gente pede é que o estado brasileiro considere as lideranças indígenas como os verdadeiros negociadores com os estados sobre suas questões, como a demarcação e proteção dos seus territórios e a proteção da vida dos povos indígenas. Queremos, nós mesmos, falar o que queremos em relação à Amazônia, onde nascemos, crescemos e vivemos”, disse, em entrevista a Ecoa, Toya Manchineri, coordenador-geral da Coiab, ressaltando a união entre os povos indígenas, quilombolas e extrativistas na declaração.

Toya Manchineri: luta por protagonismo indígena na COP
Foto: Pepyaká Krikati/Divulgação

O que diz a carta

O documento exige que a COP30, realizada em solo amazônico, carregue uma responsabilidade histórica e seja uma oportunidade política inédita para fortalecer alianças entre movimentos e povos da região.

A atual conjuntura internacional de avanço do fascismo abre caminho para que esta conferência deixe de ser uma formalidade global e se torne o palco de protagonismo real em defesa da soberania liderada pelos movimentos e povos da Amazônia”, afirmam os representantes dos povos indígenas, quilombolas e extrativistas.

Nele, representantes de movimentos sociais, comunidades tradicionais e povos indígenas da Amazônia declaram que levantam “uma voz firme e ancestral para afirmar nossa identidade coletiva de luta: a resposta somos nós”.

“Diante do colapso iminente, quando o planeta queima e a vida clama, somos nós que carregamos o peso mais cruel da injustiça histórica e do neocolonialismo da economia da destruição”, diz a carta.

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