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segunda, 19 de abril de 2021

Vanessa: retorno e encontro marcado com procuradores da Lava Jato

Conversas dos procuradores que estão no âmbito da operação Spoofing mostram procuradores da Lava Jato comemorando a derrota de Vanessa na eleição de 2018.

2 de março de 2021

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A ex-senadora confirmou que voltará a disputar eleição em 2022 e que vai apresentar uma reclamação contra procuradores da Lava Jato no Conselho Nacional do MP

A ex-senadora pelo Amazonas Vanessa Grazziotin (PCdoB) confirmou, em uma entrevista ao REALTIME1 nesta terça-feira (2), que pretende disputar a eleição de 2022 para mostrar que os ataques falsos realizados pelos procuradores da Operação Lavajato não a abateram.

Conversas entre os procuradores, em aplicativo de mensagens, reveladas no âmbito da  operação Spoofing, da Polícia Federal, mostram o ex-coordenador da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, comemorando efusivamente a derrota eleitoral dela e dos ex-senadores Lindbergh Farias (PT/RJ) e Roberto Requião (MDB/PR) na eleição de 2018.

Vanessa, Lindbergh e Requião vão entrar com uma reclamação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) pedindo a punição dos procuradores que usaram aparelhos oficiais, escutas clandestinas para monitorar todos os que eram vistos como adversários da operação durante a eleição de 2018, quando ela disputou a reeleição para o senado, mas acabou derrotada pelos atuais Plínio Valério (PSDB) e Eduardo Braga (MDB).

“Eles têm de pagar. Nas gravações ficam claras as intenções deles. Só vamos ver com os advogados se a reclamação será contra o Deltan Dallagnol ou contra todos. O Deltan porque é ele que comemora, e um outro procurador até adverte para não festejar assim. Mas a reclamação será feita sim”, garante.

Depoimento inventado?

Uma das ações da Lava Jato envolveram a então senadora na delação premiada de um executivo da construtora Odebrecht e divulgada exatamente no ano em que ela disputava a reeleição, mas essa parte foi retirada por decisão do ministro Edson Facchin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. “Eles usaram a fala de uma pessoa que só vi uma vez na vida. Nem sei se eles tomaram o depoimento ou se inventaram, pois até inventar depoimentos uma delegada da operação (Erika Marena) inventou”.

Atualmente trabalhando como consultora da bancada federal do PCdoB na Câmara Federal, Vanessa Graziottin está às voltas com a organização da 3ª Conferência Nacional das Mulheres, que será realizada de modo virtual no fim deste mês. “Não parei de fazer política não. Estou como secretária Nacional de Mulheres do partido e trabalhando muito com a causa das mulheres”, conta.

Sobre o período afastado da política nos parlamentos, o mais longo desde que iniciou a carreira como vereadora em Manaus, Vanessa diz que está sendo bom para observar como as coisas estão acontecendo e como se preparar para o retorno.

“Nós estamos diante de um golpe de estado sendo gestado por este governo (de Jair Bolsonaro) e ninguém fala nada. Só os trabalhadores estão sofrendo com isso, veja os prejuízos com a Reforma da Previdência, que ia acabar com privilégios. Acabou com nenhum privilégio e só prejudicou o trabalhador”, avalia.

Ação dos EUA

Vanessa relaciona a crise atual com o desempenho do ex-juiz Sérgio Moro e dos procuradores da Lava Jato que foram formados nos Estados Unidos para acabar com a indústria nacional e mergulhar o País na crise em que estamos.

“Hoje está clara para todos. Não há mais dúvidas, que os Estados Unidos estavam por trás do golpe militar de 1964. Eles próprios divulgam documentos confirmando isso que era tratado como uma teoria da conspiração da esquerda. Hoje é a mesma coisa, o Edward Snowden mostrou que os Estados Unidos estavam espionando a Dilma (Roussef, ex-presidente) e a Petrobras por conta das maiores reservas mundiais de petróleo que estavam no Pré-Sal. O que aconteceu depois desta espionagem? A Dilma sofreu o  impedimento e a Petrobras está sendo desmontada”, enumerou.

A ex-senadora lembra que após Dilma vencer a  eleição de 2014, o grupo protegido pela Lava Jato no PSDB articulou as “pautas bombas” que levaram o País a entrar numa crise econômica que ainda não conseguiu sair, mas com os integrantes do poder econômico sempre se dando bem no governo.

“Eles protegeram o PSDB até onde puderam, até ficar feio. Pegaram o Cunha (Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara Federal) só depois que ele abriu o processo de impeachment”, finalizou.

Sobre as mensagens e a veracidade delas, os procuradores da Lava Jato se limitam a não reconhecê-las e acrescentar que são fruto de interceptação criminosa. O problema dessa versão é que elas se tornaram provas de um inquérito aberto para investigar exatamente as interceptações, no caso feito pela operação Spoofing, e portanto poderão ser tratadas como oficiais desde que periciadas.

Texto: Gerson Severo Dantas

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