O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), prometeu na campanha eleitoral de 2020 que Manaus teria os 100 primeiros dias mais produtivos de uma administração em toda a história da cidade. O prazo completa-se neste sábado (10) e o que se viu foi uma gestão atuando em várias frentes, mas principalmente tangenciando problemas herdados de Arthur Neto e problemas novos criados por ela própria.
A pandemia da Covid-19 pegou a administração de David em cheio logo na primeira semana de janeiro com a explosão no número de casos e de mortes decorrentes de um dezembro aberto a livre circulação das pessoas e a chegada silenciosa da variante P1 do coronavírus.
A segunda semana foi ainda mais dramática com o desabastecimento de oxigênio nos hospitais da cidade e pessoas morrendo “afogadas” numa cama de UTI.
O prefeito chegou a falar em distribuição emergencial do chamado kit-Covid propagandeado pelo então ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, formado por remédios ineficazes cientificamente contra a doença: cloroquina, ivermectina, vitamina D.
A sensatez foi maior e a gestão optou pela ciência e esperou para começar a vacinação com a Coronavac e Astrazeneca em postos dedicados ao atendimento de grupos prioritários.
A vacinação em Manaus é um trunfo de David, mas quase desperdiçado por conta de duas socialites médicas acusadas de furarem a fila da vacinação e o colocaram nas manchetes da mídia nacional e na mira do Ministério Público, que no dia 25, de maneira inédita, pediu a prisão do prefeito e da secretária de Saúde, Shadia Fraxe.
A Justiça não acatou o pedido e David disse ter sido alvo de abuso de autoridade.
Frente Nacional de Prefeitos
Outra frente que deixou o prefeito bem na fita foi a adesão ao Consórcio Nacional de Vacinas das Cidades Brasileiras (Conectar), criado pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP) para comprar vacinas sem depender do Governo Federal, que sempre fez corpo mole para adquirir os imunizantes.
O Conectar é formado por mais de 600 prefeituras, mas apenas duas do Amazonas: Manaus e Silves.
Mesmo com a baixa adesão dos amazonenses, David conseguiu ser indicado o representantes da região Norte na comissão diretiva do Conectar, que além de vacinas também acelera a compra de medicamentos, insumos e equipamentos para o combate a Covid.
Obras herdadas de Arthur
Heranças da gestão Arthur Neto contribuíram para atrapalhar a arrancada de David Almeida. No primeiro dia de sua administração teve que imediatamente fechar o complexo viário do Manoa, inaugurado por Arthur no dia 31 de dezembro.
A obra tinha graves problemas de infra-estrutura, conforme laudo do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-AM).
A nova gestão negociou, em seguida, com o consórcio de construtoras. Os problemas começaram a ser corrigidos em março, com prazo de 60 dias para a entrega.
Na mesma balada estão o Terminal 6, construído no bairro Lago Azul, Zona Norte.
Da mesma forma, a recuperação das vias do Distrito Industrial, ações que a nova administração tenta destravar.
O vice-prefeito e secretário Municipal de Obras, Marcos Rotta, disse que as obras foram entregues de maneira apressada.
E, segundo ele, de forma irresponsável, restando ao governo atual corrigi-las. Rotta era vice de Arthur Neto.
O sorteio de vagas para as creches do município foi outra polêmica. E um dos desafios nesses 100 dias de administração David Almeida.
No entanto, a decisão de sortear as vagas recebeu críticas na Câmara Municipal de Manaus (CMM), posteriormente surgindo questionamentos sobre a lisura do processo. A falta de creches é a causa da necessidade de fazer o sorteio foi a justificativa da administração.
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