Em audiência pública realizada nesta terça-feira (28), representantes do setor agropecuário e da indústria manifestaram aos deputados do grupo de trabalho da reforma tributária suas preocupações em relação às PECs em andamento no Congresso.
O setor agropecuário mantém contrariedade quanto ao fim da desoneração da cesta básica a partir da criação do Imposto sobre Bens e Serviços.
A ideia presente na proposta atual da reforma é devolver automaticamente o imposto pago apenas para as famílias mais pobres.
Os representantes do setor concordam em reavaliar os itens da cesta básica, mas entendem que a desoneração deve ser ampla para não prejudicar a classe média já que, segundo eles, a devolução do imposto apenas para os mais pobres não será suficiente para aumentar o consumo.
Além disso, os agropecuários propuseram alíquotas diferenciadas para o setor, como é feito em outros países.
Eles alertaram para os possíveis impactos catastróficos que uma alíquota de 25% do IBS poderia causar a curto prazo, especialmente na inflação, já que preveem que o aumento da cesta básica poderia chegar a 22,7% com o novo IBS.
Indústria
Já os representantes da indústria entendem que a reforma trará benefícios para o setor já que a carga de impostos cumulativos nos produtos reduziu a produção industrial do Brasil de 3% para 1,3% da produção mundial.
Segundo o deputado Vitor Lippi (PSDB-SP), devido ao alto peso dos impostos sobre a indústria, o Brasil perdeu 30 mil indústrias nos últimos dez anos.
O novo imposto, IBS, promete reduzir o custo final dos produtos, pois deduzirá o imposto já pago sobre matérias-primas e equipamentos. Outra expectativa dos representantes é que o imposto seja pago no consumo, desonerando as exportações.
As audiências públicas do grupo de trabalho da reforma tributária continuam hoje, a partir das 14h, com uma nova rodada de debates, desta vez, com os representantes do setor do comércio.
Da Redação, com informações da Câmara dos Deputados
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