quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Rede condiciona federação com PSOL a não exigência de apoio a Lula

O partido fundado pela ex-ministra Marina Silva condiciona a parceria à inclusão de uma cláusula que libere seus filiados a apoiarem o candidato que quiser no primeiro turno.
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As negociações entre a Rede e o Psol para formar uma federação, ou seja, atuar como um partido pelos próximos quatro anos, avançam, mas ainda dependem de um entendimento sobre a eleição presidencial. O partido fundado pela ex-ministra e ex-senadora Marina Silva condiciona a parceria à inclusão de uma cláusula que libere seus filiados a apoiarem o candidato que quiser no primeiro turno.

Na prática, Marina e outras lideranças da legenda, como a ex-senadora Heloisa Helena, querem a garantia de que poderão apoiar outra candidatura que não a do ex-presidente Lula (PT). Ambas deixaram o PT em clima de guerra e preferem subir no palanque de Ciro Gomes. O Psol, que tem preferência clara pelo petista, avalia uma saída jurídica, dentro da elaboração do estatuto da federação, para fechar a parceria. Mas dentro da sigla nem todos estão confortáveis com a aliança por não enxergarem identificação ideológica entre as duas agremiações.

Participar de uma federação é questão de sobrevivência para a Rede, que precisa atingir determinada votação nas próximas eleições legislativas para escapar da chamada cláusula de barreira, que praticamente acaba com os partidos que não conseguirem alcançar os números exigidos.

Porta-voz da Rede, cargo que corresponde ao de presidente em outras legendas, Heloísa Helena disse ao Congresso em Foco que a sigla está trabalhando para se manter como uma unidade e as tratativas para uma possível federação com o Psol dependem diretamente disso.

“Respeitamos as legítimas divergências na tática eleitoral presidencial, pois hoje a maior possibilidade é a liberação da militância com base no conteúdo programático”, afirma a a ex-senadora, que foi expulsa do PT com outros deputados que se recusaram a apoiar a reforma da Previdência do governo Lula e acabou fundando justamente o Psol. Trocou o partido pela Rede em 2015 em meio a divergências internas.

Segundo Heloísa, as articulações para a constituição da federação buscam construir um programa comum, que possibilite as prioridades dos dois partidos e a a estruturação de um estatuto interno que “possibilite o direito à divergência pública sem sanção, tanto nacional como nos estados”. O “direito à divergência pública” se deve à corrida eleitoral de outubro deste ano.

Apoio (quase) certo a Lula

Com candidato presidencial próprio em todas as eleições que disputou, o Psol desta vez dá praticamente como certo o apoio a Lula, num esforço de unificar as esquerdas em torno de um candidato que possa derrotar Jair Bolsonaro já no primeiro turno.

“Para que a gente possa pautar um debate em torno de um programa para superação da crise, é claro, nós temos no nosso campo uma grande liderança popular já testada que é o ex-presidente Lula e tem expressado e vocalizado medidas que são importantes no combate à crise”, afirmou o presidente do Psol, Juliano Medeiros.

Muito próxima de Marina Silva, Heloisa Helena vê com receio a imposição de um apoio público ao ex-presidente.

Com informações do Congresso em Foco

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