O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL), afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) “precisa deixar de destilar ódio e cuidar de comprar vacinas”, em referência à ameaça proferida por ele contra a Zona Franca de Manaus (ZFM) para atingir os senadores Omar Aziz (PSD), presidente da CPI da Covid, e Eduardo Braga (MDB), integrante da mesma comissão.
Ramos acrescentou que Bolsonaro está incomodado com o trabalho da CPI e que as falas anti-ZFM do presidente não atingem só aos senadores, mas a todos os trabalhadores da indústria local e a receita estadual “que paga a saúde, educação e compra cesta básica para enfrentar a fome nesse período de pandemia e de cheia”.
“Essa conduta do presidente demonstra duas coisas: primeiro, que ele tá apavorado com o que pode ser o resultado dessa investigação e, segundo, que ele não tem compromisso com os interesses maiores do povo do Amazonas”, disse Marcelo. “Quando o presidente ameaça a ZFM ele não atinge o senador Eduardo ou o senador Omar, ele atinge os empregos de milhares de amazonenses e de manauaras. Ele atinge os negócios que fazem investimentos na cidade de Manaus”, completou o parlamentar.
‘É um crime’
O deputado José Ricardo Wendling (PT) fez a mesma referência que Ramos em uma série de postagens no Twitter. Para ele, o discurso de Bolsonaro também ameaça os empregos dos amazonenses e são apenas uma “chantagem” para tentar atingir os membros da CPI, o que na opinião do congressista “é crime”.
Zé Ricardo ainda foi além e propôs que o título de “Cidadão Amazonense”, concedido pela Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) seja revogado. “Ele não merece”, posicionou-se.
O discurso do presidente
Na noite desta quinta-feira (20), o presidente, por meio de uma live no Youtube, em uma tentativa de ameaçar os senadores amazonenses, membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, fez a seguinte colocação: “senador Aziz, aquele que fala tanto aí na CPI… Senador Eduardo Braga, imagine aí o Estado [do Amazonas] sem a Zona Franca de Manaus”.
O ataque de Bolsonaro veio após os dois dias de depoimentos do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazzuello, que evidenciou a inércia do Governo Federal em relação à crise de oxigênio no Amazonas e uso do estado como “cobaia” para o uso da cloroquina.
Texto: Giovanna Marinho
Leia Mais: