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quinta, 09 de dezembro de 2021

Pesquisadores veem retrocesso de 20 anos após corte de R$ 600 milhões

O RealTime1 ouviu pesquisadores que, ao longo dos anos de carreira dedicados à ciência e tecnologia, estão empenhados em projetos realizados no Amazonas.

15 de outubro de 2021

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Alunos e pesquisadores do Inpa já realizaram manifestações contra cortes de verbas para C&T em anos anteriores. Registro de 04/09/2019, em Manaus (Foto: Izabel Santos/Amazônia Real/Fotos Públicas)

No Amazonas, pesquisadores criticam duramente o governo Bolsonaro (sem partido) após o anúncio do corte de verbas de R$ 600 milhões para o setor de ciência e tecnologia. Ao RealTime1, esses profissionais explicaram o porquê de temerem o corte de repasses e como isso impacta no trabalho de milhares de cientistas e no próprio bolso da sociedade civil.

Para eles, os cortes no setor de ciência, tecnologia e informação são comuns e não acontecem apenas hoje. A categoria avalia que a determinação do atual governo de corte de verbas pode matar a ciência brasileira e causar um retrocesso de mais de duas décadas. Além disso, haverá escassez em programas de bolsas, o que preocupa ainda mais a situação de inúmeros pesquisadores e pesquisas em andamento no país.

Padrão de negação

O pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Philip Martin Fearnside, avalia que a medida segue o padrão de negação e desprezo pela ciência desde o início do mandato do presidente Bolsonaro, negando os dados sobre o desmatamento, a realidade do aquecimento global antropogênico, e a gravidade da pandemia de Covid-19.

“Sem ciência o país enfrentará seus desafios às cegas. É evidente que os políticos têm que ser pressionados para reverter esta decisão”, enfatiza Fearnside.

Ainda de acordo com o pesquisador, o atual corte das verbas já vem em cima de uma série de cortes no orçamento da ciência em anos recentes, piorando seu impacto. Ele avalia o impacto da redução no cenário de pesquisas no Amazonas.

“O impacto seria duradouro, pois sacrifica uma geração de jovens cientistas, o que demora para reconstruir. Mesmo para cientistas bem estabelecidos, os projetos abortados não se recomeçarão tão facilmente quando, em um futuro mais sensato, as verbas voltam a existir”, esclarece o pesquisador titular do INPA.

Impacto no desenvolvimento econômico

O biólogo Lucas Ferrante de Faria, que é doutorando em Biologia (Ecologia) pelo INPA, avalia que os cortes nas verbas para C&T vai impactar também o desenvolvimento econômico brasileiro.

“É um corte gravíssimo e impacta não só os cientistas, mas também o desenvolvimento econômico do Brasil, a conservação das florestas e uma série de outras cadeias: como produção de tecnologia brasileira deixando o Brasil dependente de outros países”, explica.

Para Ferrante, o corte de verbas pode matar a ciência brasileira. “Nós não conseguiremos manter a formação acadêmica, a produção acadêmica de tecnologia, e isso afetará o Brasil em várias esferas, como: conservação da biodiversidade, serviços, ecossistemas, clima, agricultura, economia, produção de fármacos e vai nos tornar dependente da tecnologia de outros países. É um golpe duro e um retrocesso de mais de 20 anos pro Brasil”, prevê o biólogo.

Situação ainda mais dramática

O professor e pesquisador na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Jesem Orellana, avalia o corte como severo e que torna ainda mais dramática a situação do desenvolvimento científico e tecnológico do país, pois, segundo ele, acelera de forma inédita o esvaziamento do orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia.

“Infelizmente, só confirma o quão desencorajador se tornou fazer ciência no Brasil. Estamos retrocedendo décadas. Infelizmente, no Brasil, quando o assunto é ciência, tecnologia e inovação, parece que o atual governo prefere o obscurantismo e a secular dependência de países considerados desenvolvidos”, opina o professor.

Para Orellana, não há desenvolvimento pleno sem geração de conhecimento de ponta. “Um exemplo atual é o das vacinas na pandemia, enquanto Cuba desenvolveu um portfólio de vacinas e até exporta, com todas as dificuldades que tem, o Brasil, assistiu mais de 600 mil pessoas perderem suas vidas justamente por negar a ciência”, acredita o pesquisador.

Cortes em C&T são comuns

Para os pesquisadores entrevistados pelo RealTime1, na realidade, a ciência, tecnologia e inovação do Amazonas vem sendo duramente afetada há anos.

Conforme Jesem, este severo e irreversível corte deve aprofundar ainda mais a crise na região, já que boa parte dos recursos voltados para bolsas de pesquisa escasseará ainda mais, ocasionando o desperdício de talentos ou a “fuga de cérebros” para outras regiões ou países.

“Sem dúvida os cortes afetam o país como um todo. No entanto, em regiões com menor tradição em pesquisa, como a região norte, o dano é ainda maior, já que aprofunda desigualdades e desperdiça anos de duro investimento”, análisa.

Texto: Isac Sharlon

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